Governo regional das Ilhas Canárias proíbe navio com casos de hantavírus, mas autoridades espanholas garantem assistência e desembarque seguro.
O governo das Ilhas Canárias anunciou neste sábado (9) que não permitirá a ancoragem do navio MV Hondius, que enfrenta um surto de hantavírus a bordo. A decisão foi tomada poucas horas antes da chegada prevista do cruzeiro à região.
Apesar da resistência local, o governo espanhol determinou que o navio seja recebido no arquipélago, ressaltando a necessidade de garantir a segurança marítima e o atendimento médico aos passageiros. A Direção-Geral da Marinha Mercante, que regula a navegação no país, emitiu a resolução para que o desembarque ocorra sob controle.
O impasse envolve uma discordância sobre o tempo que o navio ficará atracado, o que dificulta o planejamento da operação. Ainda não está definido como será feito o desembarque, que pode ocorrer por meio de embarcações auxiliares caso o cruzeiro não ancore diretamente.
Em coletiva, o presidente do governo das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, justificou a negativa apontando falta de garantias técnicas que eliminem riscos sanitários para a população local. Ele destacou que o navio deveria permanecer o menor tempo possível no arquipélago e criticou a ausência de informações claras por parte da OMS e do governo central.
Em resposta, o secretário de Saúde espanhol, Javier Padilla, compartilhou relatório de inspeção a bordo que não encontrou evidências de roedores no navio e afirmou que a possibilidade de contaminação à costa canária é mínima, buscando tranquilizar a população.
O MV Hondius partiu em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, e pertence à empresa Oceanwide Expeditions. Até o momento, a Organização Mundial da Saúde confirmou seis casos de hantavírus entre oito suspeitos, com três mortes. A doença, transmitida por roedores, pode causar síndrome respiratória grave e não possui vacina ou tratamento específico.
Para o desembarque dos passageiros em quarentena, a Unidade Militar de Emergências da Espanha (UME) foi acionada após empresas locais recusarem o serviço de transporte. A operação conta com apoio da Autoridade Portuária de Tenerife e, se necessário, do serviço de resgate marítimo.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, esteve em Tenerife no sábado para acompanhar as ações e publicou uma carta aberta à população local, reconhecendo a gravidade do surto, mas ressaltando que o risco para a comunidade é baixo e que a situação não se compara à pandemia de Covid-19.
