Pesquisa aponta que sintomas menstruais impactam mensalmente a frequência escolar de alunas e professoras no Brasil.
Quatro em cada dez alunas do Ensino Fundamental e Médio no Brasil deixam de comparecer às aulas pelo menos uma vez por mês devido a sintomas relacionados à menstruação, segundo pesquisa inédita do Instituto Alana em parceria com o Instituto Equidade.Info. Entre as professoras, 12% também justificam ausências mensais por esse motivo.
A cólica menstrual aparece como o sintoma mais comum, afetando 57,7% das estudantes entrevistadas. Outros sintomas frequentes são cansaço e dores no corpo (30%), dor de cabeça (28%), além de sentimentos de vergonha e receio de vazamentos (19%). A falta de acesso a banheiros adequados e produtos de higiene também contribui para as dificuldades enfrentadas por 8% das alunas.
Impactos na educação e saúde
Especialistas destacam que a intensidade da dor menstrual está diretamente ligada ao absenteísmo escolar, o que compromete o direito à educação dessas meninas. Além disso, as faltas geram defasagem no aprendizado e podem resultar em punições, o que torna urgente a implementação de políticas escolares que ofereçam suporte, como reposição de conteúdos e reconhecimento das condições de saúde das estudantes.
Para Sofia Reinach, líder da iniciativa sobre saúde menstrual do Instituto Alana, é fundamental que as escolas desenvolvam estratégias que evitem penalizar as alunas pela dor menstrual, promovendo um cuidado integral e reforço no aprendizado.
Menstruação como tema coletivo
A pesquisa também revela que a menstruação ainda é um assunto pouco discutido e compreendido no ambiente escolar. Entre os meninos, 36,8% afirmam não pensar muito sobre o tema, contra 19,7% das meninas. É importante destacar que uma parcela significativa das estudantes inicia a menstruação antes dos 11 anos, o que reforça a necessidade de abordar o tema desde o início do Ensino Fundamental, envolvendo todos os alunos para promover uma compreensão coletiva e inclusiva.
O estudo enfatiza que a dor menstrual deve ser encarada como um fator que afeta a funcionalidade das estudantes, e não apenas um desconforto individual, requerendo atenção e políticas integradas entre saúde e educação.
