Método inovador promove comunicação e bem-estar por meio da imaginação e conexão emocional.
Para quem convive com pessoas que têm demência, as tentativas tradicionais de diálogo, baseadas em memórias passadas, muitas vezes resultam em frustração para ambas as partes. A professora Anne Basting, da Universidade de Wisconsin Milwaukee, propõe uma alternativa que valoriza a criatividade e o momento presente para estabelecer uma comunicação mais afetiva e eficaz.
Anne é fundadora da Time Slips, uma organização que oferece treinamento para familiares e profissionais cuidadores, ensinando a criar conversas livres que não dependem da memória, mas sim da imaginação e da expressão espontânea. A ideia surgiu após sua experiência como voluntária em instituições de longa permanência, onde encontrou um ambiente desanimador e com pacientes muitas vezes sedados e isolados.
Ao introduzir atividades simples, como a criação de histórias a partir de imagens recortadas, Anne percebeu que os idosos respondiam com entusiasmo, risos e cantorias, momentos que despertavam alegria e conexão. Essa prática, repetida em diferentes contextos, ajudou a desenvolver uma metodologia que valoriza o presente e respeita a realidade vivida por cada pessoa com demência.
Segundo Anne, essa abordagem traz benefícios tanto para quem recebe o cuidado, melhorando o humor e a qualidade de vida, quanto para os cuidadores, que encontram mais satisfação e engajamento no trabalho. Além disso, familiares passam a compreender a doença sob uma nova perspectiva, mais humana e acolhedora.
Atualmente, Anne também aplica sua técnica cuidando da mãe, que apresenta declínio cognitivo. Ela reforça que um cuidado de qualidade só é possível quando a pessoa com demência não é isolada, mas sim incluída em um ambiente que valorize sua criatividade e dignidade.
