Taxa de analfabetismo no país caiu para 4,9% em 2025, com 8,4 milhões de pessoas sem ler e escrever.
O Brasil registrou a menor taxa de analfabetismo desde o início da série histórica da PNAD Contínua Educação, divulgada pelo IBGE. Em 2025, a taxa caiu para 4,9%, o que representa cerca de 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler ou escrever um bilhete simples.
Essa é a primeira vez que o índice fica abaixo dos 5%, mostrando uma redução de aproximadamente 592 mil pessoas analfabetas em relação ao ano anterior, quando a taxa era de 5,3%. Em 2016, ano que marcou o início da pesquisa, o percentual era de 6,7%.
Desigualdades regionais, etárias e raciais
Apesar da queda, o analfabetismo ainda apresenta grandes disparidades. A região Nordeste concentra mais da metade dos analfabetos do país, com 4,8 milhões de pessoas, o que corresponde a 57,4% do total nacional e a uma taxa de 10,6%, mais que o dobro da média nacional. O Norte também apresenta índice acima da média, com 5,7%. Já as regiões Sul e Sudeste registram as menores taxas, com 2,4% e 2,3%, respectivamente, enquanto o Centro-Oeste ficou em 3,3%.
O analfabetismo é especialmente prevalente entre os idosos: pessoas com 60 anos ou mais representam 58% de todos os analfabetos, totalizando 4,8 milhões, e possuem uma taxa de 13,8%. Em contraste, a faixa etária de 15 a 59 anos apresenta índice de 2,6%. Pela primeira vez, a taxa entre mulheres idosas ficou abaixo da dos homens, com 13,7% contra 14,1%.
O recorte racial também evidencia desigualdades. Em 2025, 2,8% dos brancos eram analfabetos, enquanto entre pretos ou pardos o percentual foi de 6,5%. Essa diferença é ainda maior entre os idosos: 7,3% dos brancos e 20,6% dos pretos ou pardos nessa faixa etária são analfabetos.
Avanços na escolaridade e desafios persistentes
Os dados indicam melhora na escolaridade da população adulta, com 57,4% das pessoas com 25 anos ou mais tendo concluído pelo menos o ensino médio, avanço em relação aos 46% registrados em 2016. Entre pretos ou pardos, pela primeira vez, mais da metade (51,3%) atingiu essa etapa, enquanto entre brancos a proporção chegou a 64,9%. O percentual de pessoas com ensino superior completo alcançou 21,4%.
Outros indicadores mostram que a média de anos de estudo subiu para 10,2 anos em 2025, com mulheres mantendo escolaridade média superior à dos homens. No entanto, desafios como a frequência escolar desigual no ensino médio, o abandono escolar entre jovens a partir dos 16 anos e a baixa participação em creches, principalmente no Norte, continuam evidentes.
Por fim, o número de jovens entre 15 e 29 anos que não estudam, não trabalham e não participam de cursos de qualificação profissional caiu para 17,5% em 2025, mas as diferenças por gênero e raça permanecem significativas.
