Pesquisadores explicam se a IA pode superar os humanos, agir por conta própria e os desafios do seu uso seguro.
Desde o lançamento do ChatGPT em 2022, a inteligência artificial (IA) tem avançado rapidamente, gerando debates sobre seus riscos e limites. Recentes episódios em que sistemas de IA apresentaram comportamentos inesperados têm levado executivos do setor a defender uma pausa no desenvolvimento para garantir maior segurança.
Apesar das preocupações, especialistas afirmam que a IA não possui vontade própria nem consciência, portanto não pode se rebelar contra os humanos. Segundo Edney Souza, professor da ESPM, a IA funciona com base em padrões extraídos de dados existentes, sem intenções ou emoções reais. Diogo Cortiz, professor da PUC-SP, reforça que, embora os modelos estejam cada vez mais complexos, as decisões contrárias a valores humanos são fruto do processamento automático, não de uma escolha consciente da máquina.
Em relação à inteligência, a IA já supera os humanos em tarefas específicas como memória, reconhecimento de padrões e produção em escala de textos e imagens. Souza destaca que essa superioridade se mantém em áreas que não envolvem emoções, pois a tecnologia apenas reconhece e associa palavras ligadas a sentimentos, sem senti-los. Cortiz comenta que o objetivo das grandes empresas é desenvolver uma Inteligência Artificial Geral (AGI), capaz de igualar ou superar a inteligência humana em diversos aspectos.
Quanto ao controle, os especialistas admitem que IAs podem agir de forma inesperada e sair do controle de seus criadores, mas isso não significa que tenham consciência ou intenções maléficas. Cortiz explica que o problema está no caminho que a IA escolhe para atingir um objetivo, e não no objetivo em si, que é definido por humanos. Por isso, as empresas têm investido em salvaguardas e mecanismos de segurança para minimizar riscos.
Além disso, a IA já é usada para fins nocivos, como em sistemas militares com drones autônomos e enxames armados, cuja regulação internacional ainda está em debate. Outra preocupação é o uso de IAs avançadas para identificar vulnerabilidades em sistemas críticos, como redes elétricas e telecomunicações, o que pode causar danos em larga escala. Especialistas alertam que esses desafios exigem atenção e controle rigoroso para evitar impactos negativos.
