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Etanol brasileiro reduz impacto da alta do petróleo em meio à crise no Oriente Médio

Etanol brasileiro reduz impacto da alta do petróleo em meio à crise no Oriente Médio
◈ Contexto

O Brasil conta com a ampla frota de veículos bicombustíveis e a produção recorde de etanol para minimizar os efeitos da instabilidade nos preços globais do petróleo.

A guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel tem pressionado os mercados internacionais de petróleo, mas o Brasil consegue enfrentar parte desse impacto graças ao uso consolidado do etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. Milhões de motoristas no país podem optar por abastecer com etanol puro ou gasolina que mistura até 30% de biocombustível, o que ajuda a conter a alta dos preços.

O programa brasileiro de biocombustíveis, iniciado em 1975, criou uma das maiores frotas bicombustíveis do mundo, com veículos que funcionam com qualquer proporção de etanol e gasolina. Essa estratégia reduz significativamente a dependência do petróleo importado, garantindo mais estabilidade ao mercado interno mesmo em cenários geopolíticos turbulentos.

Em março, a gasolina no Brasil registrou aumento de apenas 5%, enquanto nos Estados Unidos o preço subiu cerca de 30%. Essa diferença está ligada à robusta indústria nacional de etanol, que oferece uma alternativa energética acessível e sustentável. A próxima safra da cana-de-açúcar, que começa em abril, deve alcançar um recorde de 30 bilhões de litros de etanol, volume suficiente para substituir toda a gasolina importada pelo país no último ano.

Apesar de ser um grande produtor e exportador de petróleo bruto, o Brasil ainda importa parte dos combustíveis refinados que consome, principalmente diesel, que tem uma mistura menor de biocombustíveis. Os preços do diesel subiram mais de 20% em março, o que levou o governo a anunciar subsídios temporários para conter o impacto. O biodiesel, feito principalmente a partir da soja, representa apenas 14% da mistura do diesel e deve aumentar para 30% somente até 2030.

O estado de São Paulo concentra a maior produção de etanol, reunindo desde grandes fazendas tecnológicas até pequenas propriedades familiares. Além disso, investimentos em pesquisa, como os realizados pela Unicamp, garantem avanços na produção e na adaptação dos motores para uso eficiente do etanol, fortalecendo o setor.

O modelo brasileiro tem chamado a atenção de outros países, como Índia e México, interessados em adotar estratégias semelhantes para aumentar sua segurança energética. A flexibilidade na produção, no uso dos combustíveis e nas políticas públicas é apontada como um diferencial que torna o Brasil mais preparado para enfrentar crises globais no setor de energia.

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