Fósseis coletados no Brasil e preservados no Reino Unido serão enviados ao país para recompor o acervo destruído pelo incêndio de 2018.
O Museu de História Natural da Universidade de Oxford, no Reino Unido, anunciou a doação definitiva de 62 fósseis brasileiros ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro, que sofreu um incêndio devastador em 2018. As peças, preservadas no museu britânico por décadas, fazem parte do esforço global para restaurar o acervo da instituição brasileira.
Entre os fósseis que voltarão ao Brasil estão exemplares de peixes, insetos, algas e trilobitas com idades que chegam a mais de 400 milhões de anos, superando até os dinossauros. As amostras foram coletadas em duas regiões do país: Paraná, em 1979, e Ceará, em 1993, e estão em excelente estado de conservação, o que permitirá novas pesquisas científicas.
A paleontóloga Emma Nicholls, gerente de coleções do museu de Oxford, coordena o processo de envio e destaca que a decisão de doar as peças foi tomada com base em critérios rigorosos. Fósseis atualmente usados em pesquisas ou que são espécimes-tipo, fundamentais para a identificação científica, permanecerão no Reino Unido para garantir a integridade dos estudos acadêmicos.
Desde o incêndio que destruiu cerca de 85% do acervo do Museu Nacional, diversas instituições e pessoas físicas têm contribuído com doações e apoio. O diretor do Museu Nacional, Ronaldo Fernandes, lembra que o trabalho de restauração será longo, mas ressalta a importância da solidariedade internacional para manter viva a memória e o papel educativo do museu.
Além da devolução dos fósseis, o Museu Nacional já reabriu parcialmente espaços ao público, incluindo a sala do meteorito Bendegó e uma exposição com instrumentos musicais feitos com madeiras que resistiram ao fogo. A fachada do histórico Paço de São Cristóvão também foi restaurada em 2024, com a expectativa de que o museu retome suas atividades completas até 2029.
