Levantamento indica que o diesel chegou a R$ 7,22 em média, pressionado pela guerra no Oriente Médio e alta do petróleo.
O preço médio do diesel no Brasil atingiu R$ 7,22 nesta quarta-feira (19), segundo dados da TruckPag, empresa especializada em gestão de frotas. Esse valor representa um aumento de cerca de 25% em relação ao fim de fevereiro, quando o preço médio era de R$ 5,74, no início do conflito no Oriente Médio.
A pesquisa da TruckPag considera mais de 143 mil transações em 4.664 postos, com predominância de estabelecimentos localizados em rodovias (94%). Nos últimos 30 dias, quase 82% das compras foram feitas por caminhões, evidenciando o impacto direto no setor de transporte.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) também registrou alta no preço do diesel, apontando um aumento de 11% na última semana em comparação com a anterior. No entanto, os dados oficiais apresentam um atraso na divulgação, o que dificulta o acompanhamento em tempo real das variações bruscas.
Os estados com as maiores elevações desde o fim de fevereiro incluem Tocantins, com alta de 37,1% no Norte, Piauí, que registrou 28% no Nordeste, e Santa Catarina, com aumento de 29,9% no Sul. São Paulo teve um acréscimo de 27%, sendo o estado com maior alta no Sudeste.
O aumento dos preços está ligado diretamente à valorização do barril de petróleo no mercado internacional, que subiu cerca de 80% em 20 dias devido a ataques a refinarias e tensões no Estreito de Ormuz. Cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado e precificado no mercado externo, o que eleva o custo para distribuidoras e, consequentemente, para os consumidores finais.
O diesel é essencial para a cadeia logística do país, afetando desde o transporte de cargas até o preço de alimentos e produtos industriais. Especialistas alertam que a pressão inflacionária causada por essa alta pode se refletir no custo de vida em até um mês, dependendo da evolução do conflito e da situação no Estreito de Ormuz.
Apesar de medidas recentes do governo federal, como a redução de tributos e um subsídio de R$ 0,32 por litro, o impacto dessas ações ainda não foi sentido nas bombas dos postos.
