Após aprovação na Câmara, proposta que elimina escala 6x1 enfrenta pressão no Senado e pode atrasar votação.
A proposta que extingue a escala 6×1 foi aprovada com ampla maioria na Câmara dos Deputados, mas ainda não tem data definida para votação no Senado. A expectativa de líderes no Senado era realizar uma reunião com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, para decidir os próximos passos, mas o encontro foi adiado para depois do feriado de Corpus Christi.
Alcolumbre, que se manifestou sobre o tema somente dias após a aprovação na Câmara, defende uma análise cuidadosa e sem pressa da proposta, destacando a importância de uma comissão para examinar a matéria antes da votação em plenário. Essa postura contrasta com a do presidente da Câmara, Hugo Motta, que apoiou rapidamente o fim da escala 6×1, tema com forte apelo eleitoral ligado ao governo Lula.
A PEC aprovada prevê que a obrigatoriedade de pelo menos dois dias de folga por semana entre em vigor 60 dias após a promulgação da emenda constitucional. A redução da jornada semanal de 44 para 40 horas será gradual: primeiro para 42 horas após 60 dias, e para 40 horas após um ano, mantendo os salários atuais.
Enquanto isso, 41 senadores da oposição propuseram uma alternativa que permite aos trabalhadores escolher entre o regime tradicional da CLT ou um sistema flexível baseado em horas trabalhadas, sem garantia de redução de jornada ou de duas folgas semanais. Essa proposta é apoiada por entidades como a CNI, Fiesp e CNC, que alertam para o impacto nos custos empresariais e tentam adiar a aprovação do fim da escala 6×1.
Por outro lado, movimentos sindicais e parlamentares favoráveis ao fim da escala organizam atos e mobilizações para pressionar o Senado. O cenário político no Senado é dividido, com dúvidas sobre o rito da PEC e possibilidade de tramitação mais lenta, incluindo análise em outras comissões além da CCJ.
Especialistas apontam que a pressão eleitoral pode acelerar a aprovação, mas fatores como o calendário parlamentar, Copa do Mundo e o recesso de julho podem atrasar a votação. Ainda não há definição sobre o relator da proposta no Senado, e o perfil escolhido indicará o ritmo da tramitação.
