Indicação de Kevin Warsh para presidente do Fed enfrenta resistência no Senado devido à falta de transparência sobre seus ativos.
A indicação de Kevin Warsh para presidir o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, enfrenta obstáculos no Senado após a revelação de um patrimônio superior a US$ 100 milhões, com informações incompletas que geram dúvidas sobre possíveis conflitos de interesse.
Documentos apresentados por Warsh mostram grandes investimentos, incluindo mais de US$ 50 milhões em um fundo privado e cerca de US$ 10 milhões em consultorias, mas parte dessas informações está protegida por acordos de confidencialidade, dificultando a avaliação detalhada pelos parlamentares.
A senadora Elizabeth Warren, do Partido Democrata, criticou as lacunas nas declarações financeiras e defendeu o adiamento da audiência de confirmação até que todas as questões éticas sejam esclarecidas. Ela ressaltou que a transparência é fundamental para garantir que não haja conflitos de interesse antes da posse.
Além disso, o patrimônio de Warsh inclui investimentos em setores como inteligência artificial, tecnologia e plataformas relacionadas a criptomoedas, áreas que estão sujeitas a restrições éticas mais rigorosas estabelecidas pelo Fed em 2022. Também foram apontados ativos ligados à sua esposa, Jane Lauder, herdeira da Estée Lauder, com fortuna estimada em quase US$ 2 bilhões.
A complexidade dos investimentos e a falta de detalhamento em alguns acordos preocupam especialistas e senadores, que pedem mais esclarecimentos na sabatina. A resistência à indicação não se limita aos democratas: o senador republicano Thom Tillis condiciona seu voto à conclusão de investigações envolvendo o atual presidente do Fed, Jerome Powell, o que pode atrasar ainda mais o processo.
O governo Trump busca confirmar Warsh até o fim do mandato de Powell, em 15 de maio, mas o cronograma é considerado apertado diante das exigências para resolver as pendências financeiras e éticas. Caso a nomeação não seja concluída, Powell pode continuar interinamente no comando do Fed até 2028.
