Rejeição dos EUA à proposta de paz do Irã impulsiona alta no petróleo e intensifica riscos na rota marítima estratégica.
Os preços do petróleo registraram alta significativa nesta segunda-feira (11) após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitar rapidamente a resposta do Irã a uma proposta de paz apresentada pelos EUA. A decisão reacende preocupações sobre a continuidade do conflito que já dura dez semanas e mantém o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz em alerta.
Pela manhã, o barril de petróleo Brent, referência internacional, subiu 2,69%, cotado a US$ 103,52, enquanto o WTI, usado como referência nos EUA, avançou 2,19%, a US$ 97,51. No início da tarde, o Brent manteve alta, com preço em US$ 102,91, e o WTI teve forte alta de 4,32%, chegando a US$ 99,54.
O Irã respondeu no domingo (10) à proposta americana, pedindo o fim dos conflitos em todas as frentes, incluindo o Líbano, onde Israel enfrenta o Hezbollah, aliado iraniano. O país também exigiu compensações pelos danos da guerra, a suspensão das sanções, o fim do bloqueio naval e garantias contra novos ataques, além da revogação da proibição sobre a venda de seu petróleo.
Horas após a divulgação, Trump classificou a proposta como “totalmente inaceitável” em postagem nas redes sociais, sem detalhar os motivos. Os EUA defendem que os combates sejam encerrados antes de discutir temas mais delicados, como o programa nuclear iraniano.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que a proposta é justa e responsável, ressaltando a legitimidade das demandas iranianas, incluindo a segurança na passagem pelo Estreito de Ormuz, ponto crucial para o transporte de cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito comercializados globalmente antes do conflito.
Apesar do cessar-fogo vigente desde abril, confrontos esporádicos e movimentações de navios-tanque com rastreadores desligados indicam que a situação permanece delicada. A guerra é impopular nos EUA, que enfrentam alta nos preços dos combustíveis a poucos meses das eleições legislativas. Internacionalmente, os aliados da Otan relutam em participar de operações no Estreito sem um acordo de paz abrangente e mandato internacional.
Com a aproximação da viagem de Trump à China, o Irã deve ser tema das conversas com o presidente Xi Jinping, já que ambos os países buscam soluções para a crise energética e política na região. Enquanto isso, líderes como o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmam que a guerra ainda está longe do fim, com desafios na desativação do programa nuclear iraniano e no combate a grupos aliados do Irã.
No Oriente Médio, incidentes recentes com drones e ataques a navios evidenciam a persistência dos riscos, especialmente no Estreito de Ormuz e no sul do Líbano, onde o cessar-fogo permanece frágil. A situação segue sob atenção global, com incertezas sobre os próximos passos diplomáticos e militares.
