O governo brasileiro autorizou o envio de apoio humanitário à Bolívia, que enfrenta bloqueios e desabastecimento causados por protestos contra o presidente Rodrigo Paz.
O Brasil confirmou, nesta segunda-feira (25), o envio de ajuda humanitária à Bolívia, que vive uma crise marcada por protestos e bloqueios de estradas que já duram quase um mês. A decisão foi anunciada após uma conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Rodrigo Paz.
A situação no país vizinho tem provocado escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos, afetando a população boliviana. O presidente Lula expressou solidariedade ao governo e ao povo da Bolívia, destacando a importância do respeito às instituições democráticas e ao Estado de Direito.
Contexto dos protestos na Bolívia
Rodrigo Paz, no poder há seis meses, enfrenta manifestações lideradas por sindicatos, organizações camponesas e grupos alinhados ao ex-presidente Evo Morales. As demandas vão desde críticas a reformas agrárias e salariais até pedidos de renúncia do presidente. O governo atribui as mobilizações a uma tentativa de desestabilização, o que Morales nega.
Os protestos começaram após a aprovação da Lei 1720, que permitia a conversão voluntária de pequenas propriedades rurais em médias, para facilitar o acesso a crédito. A medida, porém, gerou desconfiança entre os camponeses, que temiam a venda das terras para grandes proprietários. Em resposta, o presidente revogou a lei.
Outros fatores da crise
Além da reforma agrária, professores protestaram por melhores salários em um cenário de inflação alta, que chegou a 20% em 2025. Apesar de um acordo que suspendeu temporariamente as greves, as manifestações continuaram e ampliaram-se para outros setores da sociedade.
Outra reclamação frequente é sobre a qualidade da gasolina, considerada ruim para veículos, após o aumento no preço dos combustíveis e a eliminação de subsídios. Análises técnicas indicaram que o combustível não atendia aos padrões, agravando a insatisfação popular.
Repercussão internacional e apoio
Os Estados Unidos classificaram a situação como uma crise humanitária e condenaram as ações que tentam desestabilizar o governo democraticamente eleito. A Argentina enviou uma aeronave militar para transportar alimentos ao país, enquanto o presidente colombiano Gustavo Petro chamou os protestos de “levante popular”.
O Brasil reforça o apelo para que governo e movimentos sociais evitem a violência e busquem o diálogo para preservar a paz social.
