Investir em acessibilidade e suporte para viajantes com doenças crônicas e necessidades especiais traz ganhos para o setor e para os turistas.
Com cerca de 20% da população mundial vivendo com doenças crônicas como diabetes, problemas cardíacos, câncer ou transtornos mentais, o turismo enfrenta o desafio de atender a esse público que muitas vezes encontra barreiras para viajar. O envelhecimento global e o aumento de casos de ansiedade e depressão também ampliam a demanda por serviços turísticos mais inclusivos.
Pesquisadores da Edith Cowan University, na Austrália, desenvolveram o conceito de “terapia de viagem” (travel therapy), que vê o turismo como uma ferramenta para promover bem-estar e melhorar a saúde mental. Segundo o professor Jun Wen, a indústria precisa se preparar para acolher pessoas com vulnerabilidades físicas ou mentais, oferecendo suporte especializado durante as viagens.
O estudo publicado no International Journal of Contemporary Hospitality Management destaca que adaptar acomodações, alimentação, transporte e entretenimento para essas necessidades é fundamental. Além disso, a presença de cuidadores e o treinamento dos profissionais do setor são apontados como essenciais para garantir uma experiência positiva.
Wen ressalta a importância de criar manuais e protocolos padronizados para orientar o atendimento a turistas com limitações, incluindo aqueles que convivem com distúrbios como ansiedade e demência. O investimento em produtos turísticos específicos para esses segmentos pode gerar maior fidelização e ampliar a receita do setor.
Ao promover a inclusão, o turismo não só amplia seu mercado, mas também contribui para o fortalecimento da autoestima e do sentimento de pertencimento dos viajantes, tornando as viagens acessíveis a todos.
