Documentos divulgados pelo governo americano revelaram informações pessoais de sobreviventes de abuso sexual ligadas a Jeffrey Epstein.
Em janeiro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) liberou centenas de milhares de documentos relacionados ao caso do financista Jeffrey Epstein, que continham dados pessoais de vítimas, testemunhas e informantes. A exposição dessas informações gerou protestos e processos judiciais por parte dos sobreviventes.
Segundo representantes do DOJ, a divulgação foi resultado de um erro humano ou técnico. O departamento prometeu revisar, ocultar e remover dados sensíveis antes de republicar os arquivos, mas investigações independentes apontaram que muitos documentos ainda continham nomes, fotos e contatos pessoais, mesmo meses após a liberação inicial.
Uma análise detalhada realizada por jornalistas e pesquisadores identificou que o acervo digital, conhecido como Biblioteca Epstein, estava em constante alteração, com arquivos sendo adicionados, removidos e modificados repetidamente. A equipe usou métodos técnicos para comparar versões dos documentos e detectar mudanças, incluindo a presença contínua de informações que deveriam ter sido ocultadas.
Além dos documentos escritos, arquivos de áudio também foram examinados. Especialistas em análise forense de áudio detectaram falhas nas edições que deveriam proteger a identidade das vítimas e denunciantes. Em alguns casos, nomes e dados de contato permaneciam audíveis, apesar das tentativas de censura, evidenciando inconsistências nos processos de proteção.
Sobreviventes relataram o impacto emocional e social da exposição, incluindo ameaças e assédio. Uma delas declarou perante o Congresso americano que vive constantemente em alerta, enquanto criticou a aparente proteção dada a pessoas influentes envolvidas no caso.
Em resposta às falhas, o Escritório do Inspetor-Geral do DOJ iniciou uma auditoria para avaliar o cumprimento da legislação que regula a divulgação desses arquivos. Parlamentares também apresentaram um projeto de lei que facilitaria ações judiciais contra o departamento em casos de descumprimento das normas de proteção às vítimas.
