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Deepfakes e eleições: seis casos que mostram o impacto da IA na política global

Deepfakes e eleições: seis casos que mostram o impacto da IA na política global
◈ Contexto

Ferramentas de inteligência artificial têm sido usadas para criar deepfakes que influenciam campanhas eleitorais e geram desinformação em vários países.

A disseminação de deepfakes — vídeos, áudios e imagens manipulados por inteligência artificial — tem provocado desafios crescentes para a integridade das eleições ao redor do mundo. Apesar de ainda não haver evidências de que essas tecnologias tenham alterado resultados eleitorais, especialistas alertam para o impacto negativo na confiança pública e na estabilidade política.

No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda discute como lidar com o uso de IA nas campanhas, enquanto casos recentes em outros países ilustram os riscos e as dificuldades de conter a desinformação gerada por deepfakes.

Falsas desistências e vídeos manipulados

Em 2025, a presidente da Irlanda, Catherine Connolly, foi alvo de um deepfake que simulava sua desistência da corrida presidencial poucos dias antes da votação. O vídeo usava a identidade visual de um canal de notícias confiável, o que aumentou seu potencial de engano. Apesar da manipulação, Connolly venceu com ampla vantagem, mas o episódio evidenciou a facilidade com que deepfakes podem ser usados para confundir eleitores.

No Equador, também em 2025, uma série de vídeos falsos imitou grandes emissoras internacionais para acusar candidatos de corrupção e fraudes eleitorais. Entre os alvos estavam Daniel Noboa, reeleito presidente, e Luisa González, que teve um vídeo falso associando-a a um aumento de impostos. Essas manipulações geraram desconfiança generalizada e prejudicaram o debate público.

Desinformação e medo na Alemanha

Durante as eleições parlamentares alemãs, vídeos falsos alertavam sobre supostas ameaças terroristas, usando imagens reais combinadas com narrações geradas por IA. Essas mensagens foram direcionadas a regiões específicas para aumentar o medo e desencorajar a participação eleitoral. Posteriormente, foi constatado que esses conteúdos faziam parte de uma rede de desinformação ligada à Rússia.

Áudios falsos e golpes financeiros

Na Eslováquia, em 2023, um áudio falso atribuído a um candidato a primeiro-ministro circulou durante o período de silêncio eleitoral, sugerindo uma fraude. Embora não tenha sido possível comprovar impacto direto no resultado, o episódio marcou um avanço no uso de deepfakes em campanhas políticas.

Já na Romênia, deepfakes foram utilizados para aplicar golpes financeiros, com vídeos que simulavam candidatos promovendo falsas oportunidades de investimento. A autenticidade visual e sonora dessas manipulações aumentou a credibilidade das fraudes, demonstrando outro perigo dessas tecnologias durante períodos eleitorais.

IA e instabilidade política no Paquistão

Em 2024, o ex-primeiro-ministro Imran Khan, preso na época, utilizou vídeos gerados por IA para comunicar-se com apoiadores e declarar vitória eleitoral antecipada, apesar do atraso na divulgação oficial dos resultados. A estratégia contribuiu para protestos e tensão política, evidenciando como deepfakes podem alimentar crises institucionais.

Especialistas ressaltam que o principal risco dos deepfakes não está na alteração direta dos votos, mas na erosão da confiança nas instituições e na informação, promovendo polarização e desinformação em momentos decisivos para a democracia.

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