Discord reage à decisão da ANPD de suspender transmissões ao vivo no Brasil e reforça cooperação com autoridades.
A plataforma Discord classificou como prematura a decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) que determinou a suspensão das transmissões ao vivo em todo o Brasil. A notificação foi recebida na última sexta-feira (7), e a empresa afirma que ainda estava dentro do prazo para apresentar sua defesa.
Em nota, o Discord destacou que a caracterização feita pela ANPD não condiz com a plataforma que mantém, nem com os investimentos realizados em segurança dos usuários. A empresa afirmou que mantém diálogo aberto com a ANPD no processo administrativo e aguardava a oportunidade de se manifestar.
A decisão da ANPD ocorre após a primeira-dama Janja da Silva pedir a retirada imediata do Discord do ar, em referência a um caso envolvendo uma menina de 13 anos que teria cometido suicídio durante uma transmissão na plataforma. A agência informou que monitorava o Discord desde o ano passado e identificou irregularidades técnicas que motivaram a suspensão, com prazo de três dias úteis para cumprimento da medida.
O Discord afirmou que investigou o caso e removeu rapidamente o servidor privado ligado ao episódio, além de continuar colaborando com as autoridades policiais. A empresa ressaltou que as atividades criminosas foram coordenadas em outras plataformas antes e depois da exclusão dos envolvidos no Discord.
Além disso, o serviço mantém equipes dedicadas a combater conteúdos violentos e espera seguir dialogando com formuladores de políticas públicas para garantir uma experiência online segura no Brasil e globalmente. Até o momento, o Discord não informou se vai acatar a decisão da ANPD ou recorrer judicialmente.
Contexto do caso
Na semana passada, a primeira-dama Janja da Silva manifestou preocupação com a segurança na plataforma, destacando o caso da jovem de Naviraí (MS) que tirou a própria vida durante uma live no Discord. A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul realizou uma operação que resultou na apreensão de cinco adolescentes e na prisão de um jovem de 18 anos, suspeitos de envolvimento no caso, com mandados cumpridos em cinco estados.
Os investigados respondem por homicídio qualificado e organização criminosa, com o líder do grupo sendo um adolescente de 14 anos detido no Rio de Janeiro.
