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Romi-Isetta celebra 70 anos como marco pioneiro da indústria automotiva brasileira

Romi-Isetta celebra 70 anos como marco pioneiro da indústria automotiva brasileira
◈ Contexto

Modelo compacto com porta única foi o primeiro carro produzido em série no Brasil, deixando legado industrial até hoje.

Em Santa Bárbara d’Oeste (SP), o Romi-Isetta completa 70 anos em 2026, relembrando sua importância como o primeiro carro de passeio fabricado em série no Brasil. Lançado em 1956 pela indústria Romi, que antes atuava na produção de máquinas agrícolas, o veículo compacto de uma só porta dianteira representou um marco industrial, mesmo com sua curta trajetória comercial.

Com mais de 70% das peças produzidas localmente, o Romi-Isetta foi pioneiro em nacionalização na indústria automotiva, em um momento em que o país ainda dependia da importação ou montagem de veículos a partir de kits de peças importadas (CKD). Sua produção seguiu até 1961, com cerca de 3 mil unidades lançadas, hoje consideradas objetos de colecionadores e celebradas em encontros na cidade natal do modelo.

Antecedentes e legado industrial

A Romi, fundada em 1930 por Américo Emílio Romi, foi a primeira montadora em série do país. O empresário, com experiência na Itália e visão empreendedora, conseguiu autorização para produzir o Isetta, originalmente fabricado na Itália pela ISO Automotoveicoli. O projeto aproveitou a expertise da Romi em máquinas-ferramenta e implementos agrícolas, setores que exigiam alta precisão mecânica, permitindo a fabricação de componentes metálicos complexos.

Esse pioneirismo consolidou uma base industrial no interior paulista, com fornecedores locais e mão de obra especializada, que contribuiu para o fortalecimento da cadeia metalúrgica e a transformação econômica da região, até então ligada principalmente à agricultura.

Contexto político e industrial da época

O Romi-Isetta surgiu antes mesmo da política oficial de incentivo à indústria automotiva brasileira, que ganhou força com o Plano de Metas do governo Juscelino Kubitschek na década de 1950. Apesar da importância histórica, o modelo não foi oficialmente reconhecido como o primeiro carro nacional, em parte por seu formato inovador com uma única porta frontal, e por interesses políticos que favoreceram grandes montadoras internacionais instaladas no ABC Paulista.

O título oficial acabou ficando com a DKW-Vemag Universal, lançada dois meses depois, que atendia aos critérios governamentais de duas portas e quatro lugares, com 54% de peças nacionais. Essa decisão refletiu a estratégia de atração de investimentos estrangeiros para o setor.

Paixão e preservação

Mesmo com produção limitada, o Romi-Isetta mantém fãs dedicados. Colecionadores como Flavio Fernandes buscam restaurar exemplares e preservar a memória do automóvel. Recentemente, encontros em Santa Bárbara d’Oeste reuniram entusiastas para celebrar os 70 anos do modelo, que também ganhou uma réplica com motor elétrico para as novas gerações.

Indústria automotiva hoje

O legado da Romi-Isetta ajuda a entender os desafios atuais do setor no Brasil, marcado pela perda da capacidade nacional de desenvolvimento automotivo e pela crescente influência das montadoras chinesas. A indústria passa por uma transformação acelerada com a eletrificação dos veículos e a adoção de novas tecnologias, como software e semicondutores, que redesenham o mercado global.

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