Ministério Público de Goiás pede paralisação do concurso da PM após denúncias de falhas e erros nas provas.
O Ministério Público de Goiás (MP-GO) requisitou à Justiça a suspensão imediata do concurso público para os cargos de soldado 3ª classe e cadete da Polícia Militar. A medida, solicitada com urgência, ocorre após denúncias de diversas irregularidades durante a aplicação das provas objetivas e discursivas, realizadas em 15 de janeiro.
De acordo com a promotora Leila Maria de Oliveira, a suspensão visa evitar mais prejuízos aos candidatos, à administração pública e à sociedade enquanto o processo judicial está em andamento. O pedido também inclui a reaplicação das provas e a definição de um novo cronograma para todas as etapas do certame.
Em janeiro, a juíza Zilmene Gomide da Silva Manzoll já havia concedido liminar suspendendo parcialmente as nomeações para os cargos mencionados, mas o concurso continuou em andamento. O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) informou que o processo está sendo reavaliado pela magistrada, mas não há previsão para decisão final.
Problemas detectados nas provas
O concurso oferece 2.420 vagas para soldado 3ª classe, que exige diploma superior em qualquer área, e 80 vagas para cadete, destinadas a bacharéis em Direito. Quase 35 mil candidatos participaram das provas em Goiânia e outras 16 cidades do interior.
Entre as irregularidades apontadas estão a presença de celulares nas salas de prova, suspeitas de cola, falhas nos cadernos de questões e erros nos gabaritos. A promotora destacou problemas como alternativas corretas sublinhadas em algumas perguntas, menção a artigos inexistentes da Constituição Federal e inconsistências na identificação dos tipos de prova nos cadernos, o que gerou confusão e estresse entre os candidatos.
Esses erros afetaram a correção das provas, levando à divulgação inicial de listas de aprovados com notas incorretas. A banca organizadora, Fundação de Apoio à Pesquisa, Ensino e Assistência (Funrio), tentou corrigir os resultados, mas a credibilidade do concurso foi comprometida.
Questões na divulgação dos resultados
Para o cargo de cadete, a Funrio publicou três listas diferentes de aprovados na prova objetiva, com nomes, posições e notas divergentes. A organização alegou ter sofrido um ataque hacker que teria causado a divulgação da primeira lista, mas só registrou boletim de ocorrência após questionamento do MP-GO.
Após a correção das provas, o resultado preliminar foi divulgado individualmente na área do candidato, sem a publicação de uma lista geral, o que gerou dúvidas sobre a transparência do processo. A promotora também apontou erros nos gabaritos finais divulgados, que não anularam questões inválidas, abrindo espaço para recursos judiciais que poderiam atrasar ainda mais o concurso.
Alterações no cronograma e uso de redes sociais
O MP-GO ainda registrou cinco mudanças no cronograma original do concurso, o que contribuiu para a insegurança dos participantes. Além disso, fotos dos cadernos de questões e cartões-resposta foram compartilhadas em redes sociais durante as provas, indicando falhas no controle do uso de aparelhos eletrônicos nas salas.
Segundo a promotora, os problemas não configuram erros isolados, mas uma série de falhas que colocam em dúvida a capacidade da Funrio e comprometem a integridade do certame, que sequer passou por processo licitatório para sua organização.
A Secretaria de Estado de Gestão e Planejamento (Segplan) informou que só se manifestará após ser oficialmente notificada sobre a ação do MP-GO. A reportagem também aguarda posicionamento da Funrio sobre o caso.
