Caracóis africanos invadem quintais em Macapá e a bióloga explica as melhores práticas para evitar a proliferação desses moluscos.
Com a chegada das chuvas em Macapá, além dos transtornos comuns como alagamentos, aumenta também a presença dos caracóis africanos, conhecidos como “caracóis gigantes”, que têm invadido quintais e áreas públicas pouco cuidadas.
Originária da região Centro-Norte da África, a espécie Achatina fulica não possui predadores naturais no Brasil, o que facilita sua reprodução, especialmente em solos úmidos durante a estação chuvosa. Esses moluscos se alimentam de matéria orgânica diversa, incluindo restos de comida, plantas e lixo, o que torna essencial a higienização cuidadosa de alimentos consumidos crus e a limpeza constante dos ambientes.
A bióloga Tatiane Barbosa explica que a espécie foi introduzida no Brasil na década de 1980, inicialmente na região Sul, para produção de escargot. Porém, a aceitação do produto não foi ampla, e a população de caracóis acabou se espalhando para outras regiões, como Macapá, onde o primeiro registro foi em 2008. Atualmente, as infestações registradas na cidade não são as piores já observadas.
Impactos e cuidados
A presença desses moluscos traz três principais desafios: ecológicos, econômicos e de saúde pública. Eles competem com espécies nativas, causam danos a hortas e plantações, e podem transmitir doenças se alimentos contaminados não forem bem higienizados.
Não existem produtos químicos específicos recomendados para a eliminação desses caracóis no Brasil. A bióloga alerta que métodos comuns, como jogar sal, são inadequados, pois prejudicam o solo e podem até facilitar a proliferação do mosquito Aedes aegypti, ao acumular água nas conchas vazias.
Como combater a proliferação
O controle deve ser realizado por meio de manejo ambiental e cuidados simples: manter quintais e jardins limpos, removendo lixo e material orgânico; destruir os ovos, que se assemelham a pequenas pérolas; recolher os caracóis adultos com o uso de luvas ou sacos plásticos, colocando-os em água fervente com hipoclorito de sódio para eliminação; e esmagar as conchas para evitar que acumulem água.
Além disso, o plantio de boldo pode funcionar como um repelente natural para essas áreas. Até o momento, não há informações claras sobre a origem exata da população desses caracóis na natureza local, se foram soltos ou escaparam de viveiros.
