Grupo Pão de Açúcar negocia R$ 4,5 bilhões em dívidas para evitar recuperação judicial e garantir operação normal.
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) anunciou nesta terça-feira (10) a assinatura de um acordo extrajudicial com seus principais credores, visando a reestruturação de R$ 4,5 bilhões em dívidas. A medida permite que a empresa renegocie seus compromissos financeiros sem recorrer à recuperação judicial, mantendo as operações das redes de supermercados normalmente.
A recuperação extrajudicial é um mecanismo que possibilita a negociação direta com credores, buscando prazos mais longos ou condições melhores para o pagamento, sem a necessidade de intervenção da Justiça. O processo tem efeito imediato e prazo inicial de 90 dias, não abrangendo dívidas trabalhistas, fiscais ou com fornecedores.
O GPA enfrenta desafios financeiros desde 2022, com prejuízos consecutivos decorrentes da alta inflação, aumento dos juros, mudanças na gestão, pagamento de dívidas fiscais e trabalhistas, além do fechamento de unidades com desempenho insatisfatório. No fim de 2025, o grupo acumulava um déficit de cerca de R$ 1,2 bilhão, principalmente por empréstimos e títulos com vencimento em 2026.
Para enfrentar a crise, o GPA vem adotando medidas como negociações para alongamento dos prazos das dívidas, redução de despesas e conversão de créditos tributários em caixa. A reestruturação financeira ocorre em meio a mudanças no comando da empresa, com o Grupo Coelho Diniz tornando-se maior acionista e nomeações recentes na presidência do conselho e da diretoria executiva.
Ao todo, o grupo administra 728 lojas no Brasil, incluindo as bandeiras Pão de Açúcar, Extra, Mini Extra e Minuto Pão de Açúcar, além de marcas próprias como Qualitá e Taeq. A recuperação extrajudicial visa preservar o funcionamento dessas unidades, garantir o pagamento a fornecedores e estabelecer condições para a sustentabilidade financeira a longo prazo.
Especialistas destacam que esse tipo de negociação é uma alternativa prática para empresas que buscam reorganizar dívidas antes que problemas no fluxo de caixa possam comprometer suas operações, embora possa impactar aspectos como oferta de produtos e estratégia de preços.
