Pesquisa aponta que mais de 10 milhões de crianças em países de baixa e média renda enfrentam exploração sexual digital.
Um levantamento recente da London School of Economics and Political Science (LSE) mostra que cerca de 17% das crianças e adolescentes que usam a internet em países da África Oriental, Austral e do Sudeste Asiático já sofreram algum tipo de abuso sexual online.
Com base em dados de quase 12 mil jovens entre 12 e 17 anos, o estudo indica que mais de 10 milhões de crianças foram afetadas por esses crimes digitais nos países analisados. A pesquisa, publicada na revista Nature, destaca que o fenômeno é subestimado, especialmente em países de baixa e média renda, onde a digitalização cresce rapidamente.
Ao contrário do que ocorre no ambiente físico, onde meninas são mais vulneráveis, a incidência de abuso sexual digital é quase igual entre meninos e meninas, com 16,9% dos meninos e 17% das meninas relatando experiências de exploração online. Entre os países pesquisados, Filipinas e Uganda apresentaram as maiores taxas, enquanto o Vietnã teve a menor.
Formas de abuso e dificuldades para denúncia
O estudo identificou nove tipos de abuso sexual mediado pela tecnologia, sendo o mais comum o envio não solicitado de imagens sexuais, que atingiu cerca de 10% dos jovens. Outros casos incluem comentários sexuais desconfortáveis, pedidos de fotos íntimas, chantagem e extorsão sexual.
Apesar da gravidade, mais da metade das vítimas nunca contou a ninguém sobre o ocorrido. Quando buscam ajuda, preferem amigos e familiares, enquanto poucos recorrem a autoridades, assistentes sociais ou professores. Entre as barreiras para denunciar estão o desconhecimento de onde buscar apoio, vergonha, medo e a sensação de que o abuso não foi grave o suficiente para relatar.
Idade, apoio parental e prevenção
O risco de sofrer abuso online aumenta com a idade, mas a probabilidade de denunciar diminui entre os jovens mais velhos. O estudo ressalta que o envolvimento ativo dos pais na vida digital das crianças é crucial para incentivar a denúncia e oferecer suporte. Conhecer os canais de ajuda também é fundamental para romper o silêncio e proteger os jovens contra esses crimes.
