Apesar da queda no valor do cacau, o chocolate mantém preços elevados nesta Páscoa devido a contratos antigos e estratégia da indústria.
O preço do cacau registrou uma queda significativa tanto no Brasil quanto no mercado internacional, mas o consumidor continua pagando caro pelos ovos e chocolates nesta Páscoa. Segundo o IBGE, a inflação do chocolate em barra e bombons subiu quase 25% nos últimos 12 meses até março.
Enquanto isso, os produtores de cacau enfrentam uma realidade oposta: na Bahia, por exemplo, o valor pago ao produtor caiu para cerca de R$ 167 por arroba, menos de um quarto do preço do ano passado. No Pará, o quilo do cacau pago ao produtor despencou de R$ 44 para R$ 9,50.
Descompasso entre preços do produtor e do consumidor
Esse desequilíbrio acontece porque o chocolate vendido nesta Páscoa foi produzido com amêndoas adquiridas quando o cacau estava em alta no mercado internacional. Atualmente, o cacau é negociado a cerca de US$ 3 mil por tonelada na Bolsa de Nova York, ante US$ 8 mil no ano anterior.
A indústria compra a matéria-prima com meses de antecedência, o que significa que os insumos usados para a produção atual foram comprados por valores muito maiores. Além disso, o setor segue priorizando a recuperação das margens de lucro após anos de preços elevados e margens apertadas, o que contribui para a manutenção dos preços altos nas prateleiras.
Fatores que elevaram os preços
A alta dos preços do chocolate está ligada à queda nas colheitas de cacau no Brasil e nos principais produtores africanos, como Costa do Marfim e Gana, em 2024. Eventos climáticos adversos, como o El Niño, e problemas fitossanitários reduziram a oferta, elevando os valores.
A indústria brasileira utiliza principalmente cacau nacional, mas complementa com importações, principalmente da África. A disputa internacional por esse produto, especialmente entre mercados europeus e americanos, também pressionou os preços para cima.
Expectativa de queda nos preços ainda em 2026
Com a recuperação da produção em 2024/25 e o aumento das importações, o mercado de cacau começa a se normalizar. Especialistas apontam que, se os preços internacionais permanecerem baixos, os valores ao consumidor devem começar a cair no segundo semestre deste ano.
Enquanto isso, mudanças nas fórmulas dos chocolates, como redução do tamanho das barras e substituição da manteiga de cacau por outras gorduras, refletem adaptações da indústria diante da alta dos preços da matéria-prima.
Reação dos produtores e medidas governamentais
A queda nos preços pagos aos produtores gerou protestos, especialmente na Bahia, onde agricultores pedem maior controle na importação de cacau para proteger a produção nacional. Em resposta, o Ministério da Agricultura suspendeu temporariamente a importação de cacau da Costa do Marfim, devido a preocupações sanitárias.
Atualmente, o excesso de cacau na Costa do Marfim dificulta o escoamento do produto, e não há incentivos para que o país compre cacau de vizinhos para revenda ao Brasil, o que também impacta o mercado doméstico.
