Após cinco meses, plano de reestruturação dos Correios apresenta resultados abaixo do esperado, com prejuízo e adesão menor ao PDV.
Os Correios apresentaram nesta quinta-feira (23) um balanço parcial das ações do plano de reestruturação aprovado há pouco mais de cinco meses pelo Conselho de Administração. A estatal encerrou 2025 com um prejuízo superior a R$ 8 bilhões, e os resultados iniciais do plano ficaram aquém das expectativas.
O plano está estruturado em três pilares principais: recuperação financeira, consolidação do modelo e crescimento estratégico. Entre as medidas adotadas, destacam-se o Programa de Demissão Voluntária (PDV), reestruturação da rede de atendimento, modernização tecnológica, venda de imóveis e expansão do portfólio para o comércio eletrônico.
No entanto, a adesão ao PDV ficou bem abaixo da meta inicial. Embora a expectativa fosse a saída de 10 mil funcionários em 2026, apenas 3,2 mil aderiram ao programa, número próximo ao PDV anterior, que durou o ano todo e teve 3,8 mil adesões. Segundo o presidente Emmanoel Schmidt Rondón, o resultado foi positivo considerando o tempo reduzido de adesão.
A venda de imóveis, outra frente importante para a recuperação financeira, tem enfrentado dificuldades. Nos dois primeiros leilões realizados em fevereiro, apenas 4 dos 21 imóveis ofertados foram vendidos. Até o momento, a arrecadação com venda de 11 propriedades soma cerca de R$ 11,3 milhões, e novos leilões estão programados para abril, com 42 imóveis disponíveis.
Além disso, os Correios planejam fechar até mil unidades deficitárias até o fim do ano, sem afetar a prestação universal dos serviços. Desde o início da reestruturação, 127 unidades foram encerradas, sendo 68 somente em 2026. Cerca de 700 locais podem ter suas funções alteradas por meio de parcerias com órgãos públicos.
Entre os avanços, a estatal registrou uma redução de 43% nas encomendas atrasadas após a revisão das rotas de entrega, que aumentou em 40% a eficiência operacional. A renegociação de dívidas também contribuiu para uma economia de R$ 321 milhões. Rondón destacou que, após a liberação de um empréstimo, a pontualidade dos contratos chegou a 99%. A empresa ainda avalia a possibilidade de captar um novo empréstimo, estimado inicialmente em até R$ 8 bilhões, embora o valor possa ser menor.
