O aumento dos preços dos aluguéis em Lisboa tem deixado moradores, incluindo brasileiros, sem condições de arcar com moradia na capital portuguesa.
Lisboa enfrenta uma crise crescente no mercado imobiliário, com aluguéis que ultrapassam a média salarial dos trabalhadores, gerando dificuldades para moradores e imigrantes. O brasileiro Jorge, que vive no país desde 2017 e atua na área de marketing, conta que mesmo ganhando cerca de 2 mil euros por mês, acima da média local, não consegue mais pagar um aluguel na cidade.
Ele relata ter sido obrigado a deixar o bairro onde morava e agora vive em um quarto na casa de um amigo, uma solução temporária diante da alta dos preços. Desde 2020, os valores dos aluguéis em Lisboa subiram cerca de 42%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, elevando o custo médio de um imóvel para aproximadamente 1.420 euros.
O impacto da crise é comprovado por estudos do Conselho Europeu, que indicam que o custo da moradia na capital portuguesa exige, em média, 116% do salário dos moradores – a maior proporção na Europa. Entre os fatores que contribuem para essa situação estão o crescimento do turismo, que transforma residências em acomodações de curta duração, além do aumento da demanda por parte de nômades digitais e expatriados.
Diante desse cenário, moradores têm organizado protestos para pressionar o governo a tratar o problema como uma emergência nacional. Jorge participa dessas manifestações, defendendo o direito fundamental à moradia e cobrando políticas públicas que ampliem a oferta de habitação social, que atualmente é insuficiente no país.
A crise afeta especialmente a comunidade brasileira, a maior entre os estrangeiros residentes em Portugal, levando muitos a deixarem o país ou a enfrentarem condições precárias de moradia. Enquanto isso, o mercado de imóveis de luxo segue em expansão, ampliando a desigualdade no acesso à habitação.
