Warwick Estevam Kerr introduziu as abelhas africanizadas no Brasil, causando um impacto que mudou a apicultura no país.
Em 1957, um acidente envolvendo a introdução das abelhas africanas no Brasil marcou a carreira do engenheiro agrônomo, geneticista e entomologista Warwick Estevam Kerr. Embora inicialmente tenha sido visto como um erro, sua iniciativa acabou revolucionando a apicultura brasileira.
Kerr trouxe da África 51 rainhas da espécie Apis mellifera scutellata para aumentar a produtividade das abelhas europeias no Brasil, que não se adaptavam bem ao clima local. As colmeias foram isoladas para evitar fugas, mas por um descuido, 26 rainhas escaparam e cruzaram com as abelhas europeias, originando as chamadas abelhas africanizadas.
Essas abelhas se espalharam rapidamente pelo país, apresentando um comportamento defensivo mais intenso que gerou medo e o apelido de “abelhas assassinas”. Inicialmente, a falta de conhecimento e equipamentos apropriados levou muitos apicultores a abandonarem a atividade.
Com o passar do tempo, estudos sobre o comportamento das abelhas africanizadas permitiram o desenvolvimento de técnicas específicas de manejo, como o uso de equipamentos de proteção adequados e a escolha de colmeias mais mansas e produtivas. Isso possibilitou um salto significativo na produção de mel e própolis no Brasil.
Além disso, Kerr teve uma carreira brilhante, atuando como professor em várias universidades brasileiras e americanas, diretor científico da Fapesp, diretor do Instituto de Pesquisas da Amazônia e presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Seu legado inclui a formação de diversas gerações de pesquisadores e avanços importantes no estudo das abelhas, tanto africanizadas quanto sem ferrão.
Apesar das controvérsias sobre o acidente, especialistas reconhecem que não houve negligência e que a adaptação das abelhas africanizadas impulsionou a apicultura nacional, tornando o Brasil um dos maiores produtores e exportadores de mel do mundo.
