Especialista em comportamento explica estratégias para planejar o longo prazo e evitar sabotagens ao seu futuro.
Hal Hershfield, professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles, lançou recentemente o livro “Your future self: how to make tomorrow better today”, que reúne uma década de pesquisas sobre como nossa dificuldade de nos conectar com o eu do futuro impacta decisões importantes no presente.
Ele destaca que, muitas vezes, tratamos nosso eu futuro como se fosse outra pessoa, distante e sem prioridade em nossa vida, o que dificulta o planejamento a longo prazo. Para mudar essa perspectiva, Hershfield recomenda imaginar diferentes versões do seu eu daqui a cinco, dez ou até 30 anos, criando uma ligação emocional que ajuda a tomar decisões mais conscientes.
Segundo o professor, essa prática pode influenciar áreas como saúde, finanças e relacionamentos, já que os efeitos das nossas escolhas não atingem um estranho, mas a própria pessoa que seremos no futuro. Ele também observa que ter filhos pode ajudar a desenvolver essa mentalidade, pois estamos dispostos a nos sacrificar por eles, mas nem sempre por nós mesmos, o que pode, inclusive, prejudicar quem amamos.
Uma das técnicas sugeridas é a visualização detalhada do eu futuro ideal, que serve como um guia para evitar impulsos negativos. Hershfield também propõe o uso de incentivos, como um sistema de punição social: por exemplo, limitar hábitos prejudiciais e, se não cumprir, permitir que um amigo faça uma doação para uma causa contrária aos seus valores, acionando uma espécie de auditoria pessoal.
Outra estratégia é escrever cartas para o eu do futuro e receber mensagens do eu maduro para o presente, fortalecendo o compromisso com mudanças duradouras. Essas ferramentas visam ajudar a construir hábitos que beneficiem o futuro e garantam uma vida melhor a longo prazo.
