Pesquisa revela que Kwai dificulta fiscalização de publicidade política por não cumprir normas do TSE.
Um levantamento do NetLab, laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), identificou que a plataforma Kwai não atende completamente às exigências do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a transparência em anúncios político-eleitorais. A análise aponta obstáculos para a fiscalização dos conteúdos pagos veiculados na rede social.
O estudo avaliou a Biblioteca de Anúncios Políticos ou Eleitorais do Kwai com base em 11 critérios estabelecidos pelo TSE. Cinco deles não foram cumpridos, incluindo a divulgação precisa dos gastos, o detalhamento do alcance exato e o perfil do público atingido. Também foram apontadas limitações nas ferramentas de busca e na coleta automática de dados, via API, o que dificulta o monitoramento em larga escala.
Segundo a diretora do NetLab, Marie Santini, essas restrições impedem a verificação efetiva da existência de anúncios irregulares na plataforma. Ela destaca que o Kwai alcança cerca de 40% dos usuários brasileiros, especialmente das classes C, D e E, e que a falta de transparência pode favorecer a circulação de campanhas eleitorais irregulares.
O TSE informou que está avaliando o relatório e que tomará as providências previstas na resolução sobre propaganda eleitoral. Já o Kwai afirmou que seu Plano de Conformidade Eleitoral para 2026 foi aprovado pelo tribunal e que suas ferramentas atendem à legislação, ressaltando que o acesso à API para análise dos anúncios pode ser solicitado formalmente.
Além disso, o estudo destaca que o Kwai apresenta os gastos em faixas amplas, sem informar o valor exato desembolsado por anúncio, e exibe dados de alcance em intervalos muito amplos, prejudicando a auditoria dos investimentos e a compreensão do impacto real das campanhas. Também falta transparência sobre o uso do direcionamento por interesses e o perfil do público que realmente recebe os anúncios.
O NetLab recomenda que o Kwai suspenda a veiculação de anúncios políticos até a adequação das suas ferramentas às normas do TSE, que exigem transparência permanente, mesmo fora do período eleitoral. Apesar de compromissos públicos para combater a desinformação, o estudo conclui que os mecanismos atuais da plataforma não garantem fiscalização eficaz.
