Inflação oficial para 2026 sobe para 5,1%, acima do teto da meta, devido a pressões nos preços dos alimentos e impactos da guerra no Oriente Médio.
O Ministério da Fazenda elevou a projeção da inflação oficial para 2026, passando de 4,5% para 5,1%, indicando que a meta estabelecida para o ano será ultrapassada. Essa revisão foi divulgada no Boletim MacroFiscal, da Secretaria de Política Econômica.
Desde 2025, o sistema de meta contínua estipula uma inflação alvo de 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%. A nova estimativa aponta para um cenário de inflação acima do limite superior, motivada principalmente pela alta persistente dos preços dos alimentos e pelos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a economia global.
Apesar da desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em junho, o setor de alimentos continua sendo o principal responsável pelo aumento nos preços acumulados no ano. O governo destacou que as medidas adotadas em resposta a eventos extraordinários, como o conflito internacional, permanecem acima do padrão histórico.
O Ministério da Fazenda ressaltou que, embora tenha havido um alívio recente nos preços do petróleo, ainda é prematuro afirmar que os valores se estabilizaram. O cessar-fogo na região é frágil, e qualquer retomada das hostilidades ou aumento da demanda para recomposição de estoques pode pressionar os preços do petróleo para cima, elevando os custos globais.
Além disso, outros fatores podem manter a inflação em alta nos próximos meses, como o repasse de preços do atacado para o consumidor final e a maior probabilidade de um El Niño mais intenso, que pode afetar a safra de 2027 e impactar os preços dos alimentos ainda em 2026.
Crescimento econômico
Apesar do cenário inflacionário, a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 foi mantida em 2,3%, mesma taxa esperada para 2025. Indicadores do início do segundo trimestre indicam um desempenho econômico positivo, com o IBC-Br registrando avanço de 1,2% no trimestre encerrado em abril.
A indústria segue como principal motor do crescimento, com aceleração até maio, mesmo após uma leve queda mensal no último mês, resultado do recuo da atividade extrativa e da estabilidade na transformação industrial.
