Estudo técnico revela fragilidades na pontuação do Enem 2016, que teve duas aplicações com número muito distinto de candidatos.
Uma perícia técnica contratada pelo Ministério Público Federal (MPF) identificou fragilidades no processo de pontuação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2016, aplicado em duas datas devido às ocupações estudantis. A análise avaliou se a discrepância no número de participantes entre as duas aplicações afetou a comparabilidade dos resultados e prejudicou os candidatos da segunda prova.
Em 2016, o Enem foi realizado inicialmente nos dias 5 e 6 de novembro, com cerca de 5,8 milhões de inscritos, e depois nos dias 3 e 4 de dezembro, para pouco menos de 170 mil participantes. A segunda aplicação foi uma medida excepcional diante das paralisações em escolas públicas em várias regiões do país.
O laudo da perícia, elaborado pelo professor Tufi Machado Soares da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), aponta problemas relacionados ao número de itens comuns calibrados entre as provas, ao tamanho das amostras usadas nos pré-testes, à precisão dos resultados divulgados e à falta de transparência sobre a qualidade das avaliações. Segundo o documento, essas questões podem comprometer a comparação justa entre as duas versões do exame.
As diferenças mais significativas foram observadas nas áreas de Linguagens e Códigos, em que a primeira aplicação teve vantagem, e em Matemática, onde a segunda aplicação apresentou desempenho superior. Já as provas de Ciências Humanas e Ciências da Natureza mostraram níveis de precisão semelhantes, embora a segunda prova de Ciências da Natureza tenha sido considerada um pouco mais fácil.
O MPF já encaminhou o resultado da perícia ao Inep e aos estudantes que questionaram suas notas. O procurador Leonardo Macedo informou que será realizada uma audiência pública para discutir o tema, ainda sem data definida. Após esse debate, o MPF avaliará possíveis medidas, que podem incluir pedidos de indenização ou revisão de resultados.
O Inep declarou que não foi oficialmente notificado sobre o laudo e reafirmou a confiança na metodologia usada desde 2009, reconhecida nacional e internacionalmente. A instituição ressaltou que o parecer representa uma opinião isolada e se manifestará assim que for formalmente comunicada.
