Entenda o que é o lado oculto da Lua e por que ele permanece invisível para quem está na Terra.
A missão Artemis II, lançada recentemente pela Nasa, leva quatro astronautas para um voo inédito que os fará passar pelo lado da Lua que nunca é visto da Terra. Esse fenômeno acontece porque a Lua gira em sincronia com sua órbita ao redor do nosso planeta, sempre mostrando a mesma face para nós.
A Lua realiza dois movimentos ao mesmo tempo: gira em torno de si mesma e orbita a Terra. Curiosamente, esses movimentos duram o mesmo período, cerca de 27,3 dias. Por isso, permanecemos vendo apenas um lado do satélite natural. Se a Lua não girasse, poderíamos observar todas as suas superfícies ao longo de um mês.
Esse sincronismo é resultado de um processo gradual causado pela gravidade da Terra. Durante milhões de anos, a força gravitacional criou um efeito de fricção que desacelerou a rotação da Lua até que ela ficasse travada nesse ritmo com a órbita terrestre. A deformação causada pela gravidade terrestre gerou um leve abaulamento, que atua como um freio, estabilizando a rotação.
É importante destacar a diferença entre o chamado lado oculto e o lado escuro da Lua. O lado oculto é a face que nunca podemos ver da Terra devido à rotação sincronizada, enquanto o lado escuro é apenas a parte da Lua que não está iluminada pelo Sol em determinado momento. Portanto, o lado oculto recebe luz solar tanto quanto o lado visível.
Do lado oculto, a superfície lunar apresenta características distintas, como a ausência dos grandes mares de lava basáltica visíveis da Terra, uma crosta mais espessa e uma paisagem mais acidentada e cheia de crateras. Essas diferenças podem estar relacionadas a variações no aquecimento e resfriamento que as duas faces sofreram no início do Sistema Solar.
Durante o voo da Artemis II, os astronautas ficarão temporariamente sem comunicação com a Terra ao passar por trás da Lua, já que o satélite bloqueia as ondas de rádio. Essa será a primeira vez em mais de 50 anos que humanos terão contato direto com esse lado oculto, abrindo espaço para novas descobertas geológicas que até hoje são pouco compreendidas.
