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Remissão e cura do câncer: entenda as diferenças e avanços da terapia CAR-T no SUS

Remissão e cura do câncer: entenda as diferenças e avanços da terapia CAR-T no SUS
◈ Contexto

Especialistas explicam quando um paciente é considerado em remissão ou curado do câncer e destacam avanços do tratamento celular no Brasil.

Ao falar sobre o tratamento do câncer, é comum ouvir os termos “remissão” e “cura”, que representam estágios distintos da doença. Especialistas esclarecem que a cura só pode ser confirmada após cinco anos sem sinais da doença, enquanto a remissão indica que o câncer não é detectado pelos exames, mas ainda pode estar presente em níveis muito baixos.

Rodrigo Calado, hematologista da USP, explica que a remissão significa que os métodos atuais não identificam o tumor, mas o paciente deve continuar em acompanhamento rigoroso para monitorar possíveis recidivas. Já Vanderson Rocha, também professor da USP e coordenador de terapia celular, orienta que os exames devem ser feitos periodicamente, inicialmente a cada três meses, para garantir o controle da doença.

Avanços da terapia CAR-T no Sistema Único de Saúde

A terapia CAR-T, que utiliza células de defesa do próprio paciente modificadas em laboratório para atacar o câncer, tem mostrado resultados promissores no Brasil. Até o momento, 14 pacientes foram tratados pelo estudo conduzido pela USP em parceria com o Instituto Butantan e o Hemocentro de Ribeirão Preto, com recursos da Fapesp e do CNPq, pelo SUS.

Embora nenhum paciente brasileiro tenha sido oficialmente considerado curado, todos apresentaram remissão significativa, com redução de pelo menos 60% dos tumores. Nos Estados Unidos, onde a técnica é aplicada há mais tempo, mais da metade dos pacientes tratados já alcançou a cura.

O publicitário Paulo Peregrino, que convivia com a doença há 13 anos, é um dos casos recentes de remissão rápida após a terapia CAR-T. Em apenas um mês, ele apresentou desaparecimento dos tumores, segundo imagens de PET Scan, e recebeu alta hospitalar. O médico Vanderson Rocha destacou a resposta surpreendente do tratamento.

Perspectivas e desafios no Brasil

O estudo clínico brasileiro deve ampliar o atendimento para 75 pacientes ainda este ano, após autorização da Anvisa. Atualmente, o tratamento CAR-T está disponível apenas na rede privada, com custo superior a R$ 2 milhões por pessoa, mas a iniciativa pública pretende tornar o acesso mais viável e fomentar a biotecnologia nacional.

A Anvisa acompanha o projeto de perto, priorizando a análise do estudo para viabilizar sua execução. Com a estrutura instalada, incluindo duas fábricas em São Paulo e Ribeirão Preto, o Brasil avança na oferta de tratamentos inovadores para leucemia linfoblástica B, linfoma não Hodgkin e mieloma múltiplo.

Enquanto isso, pacientes que obtiveram remissão, como Bruno Marques Giovanni, seguem em monitoramento constante, reforçando a importância do acompanhamento para consolidar os resultados e, eventualmente, confirmar a cura.

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