Crianças e adolescentes que vencem o câncer têm mais chances de desenvolver transtornos como depressão e ansiedade ao longo da vida.
Anualmente, cerca de 300 mil crianças e adolescentes de até 19 anos são diagnosticados com câncer, sendo leucemias, linfomas e tumores no sistema nervoso central os tipos mais comuns. Nos países desenvolvidos, mais de 80% desses pacientes sobrevivem por cinco anos ou mais, graças aos avanços no tratamento. No Brasil, essa taxa é de aproximadamente 65%, com variações regionais.
Apesar do aumento da sobrevivência, pesquisas indicam que vencer o câncer na infância ou adolescência pode trazer consequências psicológicas significativas. Um levantamento que analisou 52 estudos clínicos com cerca de 20 mil participantes revelou que esses jovens têm risco 57% maior de desenvolver depressão, 29% maior para ansiedade e 56% para transtornos psicóticos em comparação com seus irmãos ou grupos de controle.
Jeanelle Folbrecht, psicóloga e diretora de um programa para adolescentes no City of Hope, em Los Angeles, destaca que o impacto emocional vai além do medo da morte. Ela explica que muitos sobreviventes enfrentam uma sensação de luto relacionada às limitações impostas pela doença, como restrições físicas, impossibilidade de praticar esportes ou até dificuldades para seguir uma carreira.
O estudo, publicado na revista científica JAMA Pediatrics, aponta que os sintomas de ansiedade e depressão são mais frequentes em adultos jovens que venceram o câncer na infância, especialmente a partir dos 25 e 30 anos, respectivamente.
No Brasil, o câncer infantil é a principal causa de morte por doença entre crianças e a segunda causa geral de óbitos, atrás apenas dos acidentes. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que entre 2023 e 2025 serão registrados cerca de 7.930 novos casos na faixa etária de zero a 19 anos.
