[ RADAR DA INFORMAÇÃO ] — SISTEMA DE MONITORAMENTO ATIVO — TERçA-FEIRA, 15 DE SETEMBRO DE 2026 03:35 UTC-3
◆ Últimas
Brasil

Tomossíntese se destaca como exame mais eficaz para detectar câncer de mama, aponta estudo com 1 milhão de mulheres

Tomossíntese se destaca como exame mais eficaz para detectar câncer de mama, aponta estudo com 1 milhão de mulheres
◈ Contexto

Pesquisa revela que a mamografia 3D identifica mais casos de câncer de mama e reduz falsos positivos em comparação à mamografia convencional.

Um estudo recente envolvendo mais de um milhão de mulheres nos Estados Unidos mostrou que a tomossíntese, conhecida como mamografia 3D, supera a mamografia tradicional na detecção precoce do câncer de mama. A tecnologia avançada permite imagens tridimensionais em fatias finas, facilitando a visualização detalhada do tecido mamário, especialmente em casos de mamas densas.

Os dados foram coletados entre 2014 e 2020, envolvendo pacientes de 40 a 79 anos que passaram por mamografias ou tomossínteses em cinco grandes sistemas de saúde americanos. A tomossíntese identificou 5,3 casos de câncer a cada mil exames, enquanto a mamografia convencional detectou 4,5 casos por mil. Além disso, o exame 3D apresentou menor índice de falsos positivos e diminuiu a necessidade de exames complementares.

Segundo a médica Emily Conant, da University of Pennsylvania e coautora da pesquisa, o estudo analisou mais de 2 milhões de imagens, o que reforça a robustez dos resultados. Já o ginecologista e mastologista Augusto Rocha destaca que, apesar da mamografia 2D ainda ser amplamente utilizada no Brasil, a tomossíntese está presente em 80% dos centros de diagnóstico nos EUA e aumenta em até 25% o número de casos diagnosticados, além de reduzir a necessidade de exames adicionais.

O custo elevado do equipamento, cerca de 30% a 40% maior que o da mamografia tradicional, e a necessidade de treinamento especializado são barreiras para a adoção ampla do exame no Brasil. Atualmente, a tomossíntese está disponível em alguns hospitais públicos especializados, como o Inca e o Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da USP, e em centros particulares, mas não é coberta pela maioria dos planos de saúde, com preços entre R$ 600 e R$ 800.

Outro estudo, publicado em 2022 na revista Lancet Oncology, reforça as vantagens da tomossíntese. A pesquisa alemã acompanhou 99 mil mulheres e apontou que o exame 3D detectou 48% mais tumores invasivos que a mamografia convencional.

No Brasil, onde o câncer de mama é o tipo com maior incidência entre mulheres, com cerca de 70 mil novos casos ao ano, a tomossíntese surge como uma alternativa promissora para melhorar o rastreamento e o diagnóstico precoce da doença.

← Anterior
Novas regras da CNH geram economia de quase R$ 10 bilhões e facilitam acesso para motoristas