Sessão do STF marcada por confronto entre Alexandre de Moraes e André Mendonça acontece no aniversário da condenação do ex-presidente por tentativa de golpe.
O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrentou nesta terça-feira (15) uma sessão marcada por forte tensão entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, um ano e quatro dias após a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados por tentativa de golpe de Estado em setembro de 2025.
Na reunião, Moraes, que foi relator dos processos que levaram à condenação de Bolsonaro, tentou relacionar os dois momentos, acusando Mendonça de agir em interesse político e de representar um grupo que teria tentado dar um golpe no país. Mendonça, indicado ao STF pelo ex-presidente, é relator do chamado caso Master, que investiga mensagens trocadas entre Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
O relatório da Polícia Federal que motivou a investigação aponta contatos e um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório da esposa de Moraes. A sessão que analisava a validade desse relatório foi suspensa após pedido de vista do ministro Flávio Dino, que tem até 90 dias para decidir sobre o caso.
Durante o julgamento, Moraes acusou Mendonça de liberar documentos de forma seletiva, enquanto o presidente do STF, Edson Fachin, optou por separar os processos que envolvem as acusações trocadas entre os ministros. A análise das denúncias de Moraes contra Mendonça está prevista para a próxima terça-feira (23), embora ainda não haja confirmação se ocorrerá.
Esse cenário de confronto e possível investigação dentro do STF é inédito, assim como a condenação do ex-presidente Bolsonaro, que em setembro do ano passado recebeu pena de 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado, em decisão da Primeira Turma da Corte.
Na ocasião, Bolsonaro foi condenado por golpes contra a democracia, organização criminosa armada e danos ao patrimônio público, entre outros crimes, com maioria de votos favoráveis à condenação. Atualmente, ele cumpre prisão domiciliar humanitária.
