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Turistas fazem fila para vídeos em lajes da Rocinha, mas atração gera polêmica sobre pobreza

Turistas fazem fila para vídeos em lajes da Rocinha, mas atração gera polêmica sobre pobreza
◈ Contexto

Vídeos gravados em lajes da Rocinha viralizam nas redes sociais e dividem opiniões sobre o turismo na favela.

Com o crescimento do turismo no Rio de Janeiro, a Rocinha, maior favela da cidade, virou cenário para vídeos gravados por turistas em lajes, que viralizaram nas redes sociais. A atração é tão procurada que visitantes chegam a esperar até duas horas para se filmar por preços a partir de R$ 150, incluindo até pedidos de casamento durante as gravações.

Por trás do sucesso, surgem críticas que apontam para uma possível romantização da pobreza e da violência presentes na comunidade, onde o tráfico de drogas ainda é uma realidade. Renan Monteiro, fundador da agência Na Favela Turismo, responsável pelos passeios, rebate essas acusações e afirma que o objetivo é combater preconceitos e mostrar o lado positivo da favela.

Os passeios incluem trajetos por becos e visitas a artistas locais, além de apresentações de capoeira, culminando na chegada às lajes para gravações aéreas com drones. Monteiro, que é morador da Rocinha, lembra que a experiência do turismo na comunidade mudou desde os primeiros safáris em jipes abertos, que foram suspensos após incidentes violentos. Atualmente, há um sistema de monitoramento para garantir a segurança dos visitantes, com comunicação entre guias sobre operações policiais na região.

O turismo na Rocinha e na vizinha Vidigal tem atraído milhares de visitantes, especialmente com a retomada do fluxo turístico no Rio. Segundo dados da Embratur, o número de turistas internacionais bateu recorde em janeiro, com quase 290 mil visitantes. Em fevereiro, a agência Na Favela Turismo contabilizou 41 mil turistas nas duas comunidades.

Enquanto moradores como Claudiane Pereira dos Santos valorizam a oportunidade econômica trazida pelo turismo, especialistas alertam para os riscos de transformar a favela em um mero cenário exótico, desconsiderando sua complexidade e desafios sociais. Cecilia Oliveira, do Instituto Fogo Cruzado, destaca que a favela não pode ser reduzida a um pano de fundo para conteúdos virais, mas precisa ser entendida em sua totalidade.

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