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Estudo da Unicamp alerta para riscos do uso prolongado do óleo de coco como suplemento

Estudo da Unicamp alerta para riscos do uso prolongado do óleo de coco como suplemento
◈ Contexto

Pesquisa aponta que consumo diário de óleo de coco pode levar a ganho de peso, inflamação e alterações comportamentais.

Um estudo conduzido pelo Laboratório de Distúrbios do Metabolismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) identificou efeitos negativos associados ao uso contínuo do óleo de coco como suplemento alimentar. A pesquisa revelou que a suplementação diária pode desencadear ganho de peso, aumento de processos inflamatórios e mudanças no comportamento relacionadas à ansiedade.

Durante oito semanas, camundongos saudáveis receberam uma dose diária de óleo de coco equivalente a uma colher de sopa. Os animais apresentaram aumento significativo na quantidade de tecido adiposo e ativação de inflamações, que prejudicaram a resposta a hormônios essenciais para o metabolismo, como a leptina e a insulina. Esses hormônios regulam a sensação de saciedade e o controle dos níveis de açúcar no sangue.

O pesquisador Márcio Alberto Torsoni, responsável pelo estudo, explica que a perda na capacidade de sinalização hormonal pode levar ao aumento do apetite e acúmulo de gordura. Além disso, os camundongos também exibiram alterações comportamentais, incluindo sinais de ansiedade e dificuldades de aprendizado.

O óleo de coco contém alto teor de gorduras saturadas, que são conhecidas por seu potencial inflamatório. O consumo crônico dessas gorduras pode ativar processos inflamatórios silenciosos que afetam o sistema nervoso central. No estudo, foram observadas mudanças no hipocampo, região cerebral ligada à ansiedade e ao comportamento, onde a inflamação causou danos aos neurônios.

Torsoni destaca que o consumo moderado do óleo de coco não representa riscos à saúde, desde que integrado a uma dieta equilibrada, conforme as orientações do Guia Alimentar para a População Brasileira. Ele alerta, porém, para o aumento do uso indiscriminado do produto, impulsionado por tendências nas redes sociais sem respaldo científico.

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