Estudo científico revela pela primeira vez evidências de acasalamento e gravidez de tubarões-tigre em Noronha.
Um artigo publicado na revista Environmental Biology of Fishes trouxe a primeira comprovação científica da reprodução do tubarão-tigre em Fernando de Noronha. A pesquisa, conduzida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), reúne registros desde 2009 e imagens recentes feitas em maio deste ano que mostram marcas típicas do acasalamento em fêmeas da espécie.
Bianca Rangel, doutoranda da USP e coordenadora do Projeto Tubarões e Raias de Noronha, explica que as cicatrizes observadas nas fêmeas são resultado das mordidas feitas pelos machos durante a cópula. “Essas são as chamadas ‘mordidas de amor’, que indicam o comportamento reprodutivo dos tubarões-tigre na região”, afirma a bióloga.
O estudo identificou sete casos de tubarões-tigre com sinais claros de acasalamento, confirmando que a ilha é um ponto importante para a reprodução dessa espécie no Brasil. Segundo Bianca, embora existissem relatos isolados anteriormente, nunca houve uma confirmação científica tão detalhada sobre o tema.
Além de destacar Noronha como área de reprodução, a pesquisa aponta que a região apresenta a maior diversidade genética de tubarões-tigre do mundo. Isso sugere que indivíduos de diferentes partes do Oceano Atlântico migram para a ilha para se reproduzirem, fortalecendo a conservação da espécie.
Embora a presença dos tubarões-tigre na ilha tenha gerado preocupações após ataques a humanos em 2015 e 2022, a pesquisadora ressalta que não há evidências de que esses incidentes estejam ligados a um aumento populacional local. “Parece que os tubarões vêm para Noronha para se reproduzir e depois seguem seu caminho, sem que haja um crescimento significativo da população na ilha”, esclarece.
Em função de registros recentes de tubarões se alimentando na Praia do Sueste, o Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio) suspendeu temporariamente os mergulhos de apneia na área. Bianca considera a medida adequada, já que o comportamento alimentar dos tubarões pode aumentar os riscos em ambientes com visibilidade reduzida, principalmente durante o período em que as tartarugas, principal presa dos tigres, estão presentes na região.
