A presença crescente de governos de direita na América Latina e a competição geopolítica com a China devem influenciar as eleições no Brasil, segundo especialista.
As recentes eleições na América Latina evidenciam uma predominância de líderes de direita na região, um cenário que pode impactar diretamente o pleito brasileiro deste ano. A professora Regiane Bressan, especialista em Relações Internacionais da Unifesp, destaca que os Estados Unidos devem intensificar sua influência e pressão durante o processo eleitoral no Brasil, motivados pelo receio do avanço chinês.
Nos últimos anos, países como Peru, Colômbia, Argentina, Bolívia e Chile elegeram presidentes alinhados à direita, muitos deles com forte discurso contra o narcotráfico e a violência urbana. Exemplos recentes incluem Keiko Fujimori, que venceu no Peru, e Abelardo de la Espriella, eleito na Colômbia. Apesar das diferenças pessoais e políticas entre esses líderes, a pauta da segurança pública tem sido um denominador comum em suas campanhas.
Bressan ressalta que essa guinada para a direita está associada a vários fatores, como a descrença na política tradicional e a busca por soluções rápidas para problemas complexos, além da influência das redes sociais. Contudo, o fator central que une esses movimentos é a interferência, direta ou indireta, dos Estados Unidos na região, que buscam manter sua hegemonia frente à crescente presença da China e da União Europeia.
O México, por exemplo, enfrenta desafios para manter autonomia diante da forte interdependência econômica e política com os EUA, especialmente em temas como migração e narcotráfico. Já países como Panamá e Chile também lidam com pressão americana, mesmo quando governados por líderes de direita, demonstrando que a orientação política não garante automaticamente apoio dos EUA.
Para a especialista, a tensão americana nas eleições brasileiras deve se manifestar por meio de tarifas comerciais, posicionamentos sobre regulamentações tecnológicas e estratégias relacionadas à segurança pública. Ela alerta que, apesar da instabilidade do governo Trump, a influência dos Estados Unidos continuará sendo um fator decisivo na política da América Latina.
Por fim, Bressan destaca que, embora o Brasil mantenha uma política externa pragmática e busque integração regional, o cenário político latino-americano permanece volátil, com o risco de governos populistas e extremistas avançarem para o autoritarismo, alimentados pela insegurança e insatisfação social.
