Temperaturas extremas prejudicam a produção do queijo Parmigiano Reggiano, impactando qualidade do leite e custos na Emília-Romanha.
As ondas de calor que atingem a região da Emília-Romanha, na Itália, estão colocando em risco a produção do tradicional queijo Parmigiano Reggiano. Com temperaturas que ultrapassam os 40°C, as vacas leiteiras produzem até 10% menos leite, principal ingrediente do queijo que é feito apenas com leite, sal e coalho.
Há 50 anos, os agricultores abriam as janelas dos celeiros apenas durante as noites para refrescar o gado. Hoje, as janelas permanecem abertas o tempo todo, e sistemas de ventilação e nebulização foram instalados para tentar amenizar o impacto do calor intenso, mas isso elevou os custos de energia significativamente.
A produção do Parmigiano Reggiano é restrita a cinco províncias da Itália, principalmente na Emília-Romanha, onde as vacas são alimentadas exclusivamente com capim e feno locais. A falta de chuva afeta o crescimento dessas plantas, dificultando a alimentação do gado e, consequentemente, a obtenção do leite necessário para o queijo.
Além dos produtores, os armazéns onde as rodas de queijo são maturadas também sofrem com o aumento do consumo de energia para manter a temperatura ideal. São mais de 500 mil rodas armazenadas, avaliadas em mais de 300 milhões de euros, que dependem de um ambiente controlado para garantir a qualidade durante o processo que pode durar até três anos.
O presidente do Consórcio do Parmigiano Reggiano, Nicola Bertinelli, e outros especialistas alertam para os efeitos duradouros das mudanças climáticas, que podem reduzir a quantidade e a qualidade do leite, além de elevar os custos de produção. A indústria, que movimenta cerca de 4,5 bilhões de euros por ano e gera milhares de empregos, depende do equilíbrio entre tradição e inovação para sobreviver.
Com mais de 800 anos de história, o Parmigiano Reggiano é um símbolo da cultura italiana e do agronegócio local. Produtores e especialistas reforçam a importância de preservar essa tradição para que as futuras gerações também possam desfrutar desse queijo tão valorizado mundialmente.
