Anuário de Segurança Pública revela aumento recorde de fraudes, com destaque para golpes online e mudanças no perfil criminal.
O Brasil registrou mais de 2,2 milhões de casos de golpes em 2025, o que representa uma média de quatro ocorrências por minuto, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta quinta-feira (23). O número aponta um aumento de 2,7% em relação a 2024 e um crescimento de quase 430% desde 2018, evidenciando uma escalada preocupante no volume de estelionatos.
O levantamento, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destaca que o aumento dos golpes ocorre em meio à redução dos roubos e furtos, que caíram 18,3% no mesmo período. Segundo os pesquisadores, essa mudança reflete a digitalização da economia e dos serviços financeiros, que facilitam fraudes por meio de aplicativos, redes sociais, links falsos e até inteligência artificial.
São Paulo lidera o ranking estadual com a maior taxa de golpes, registrando 1.808 casos por 100 mil habitantes, seguido pelo Distrito Federal e outros estados com alto grau de bancarização e acesso digital. O relatório aponta que a urbanização e a integração ao sistema financeiro formal são fatores que influenciam a incidência dos crimes.
Principais modalidades de golpes
Entre os golpes mais frequentes estão a clonagem e troca de cartões de crédito, com uso de maquininhas adulteradas e informações obtidas ilegalmente para compras não autorizadas. O golpe do WhatsApp também é comum, em que criminosos se passam por conhecidos para pedir dinheiro ou invadem contas para solicitar transferências.
Outras fraudes destacadas são as falsas centrais bancárias, que induzem vítimas a entregar senhas e códigos, e golpes envolvendo o PIX, utilizados para concluir transações fraudulentas após manipulação por engenharia social. Mensagens de SMS com uso indevido de CPF e lojas online falsas completam as práticas mais reportadas.
Nova configuração do crime organizado
O estudo ressalta que o crescimento dos estelionatos está ligado à expansão da engenharia social, que explora emoções como medo e urgência para enganar as vítimas. Além disso, facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho atuam com estruturas empresariais dedicadas a fraudes digitais, formando uma economia criminal integrada e sofisticada.
Os especialistas alertam que a maioria dos casos não chega ao Judiciário, pois os riscos de punição são baixos. Para combater o problema, é necessário atacar tanto a organização das facções quanto os canais de lavagem de dinheiro.
