Nova sobretaxa dos EUA eleva pressão sobre indústria brasileira, que pede ação firme e diálogo direto com Washington.
Os Estados Unidos anunciaram uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros, elevando o imposto total para até 37,5% em alguns itens exportados. A medida, justificada pelo governo americano com a alegação de trabalho forçado, intensifica a pressão sobre a indústria nacional, que pede agilidade e negociação direta do governo brasileiro com os EUA.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que cerca de 3,9 mil produtos serão afetados pelas duas tarifas conjuntas, o que pode resultar em um impacto de US$ 12,4 bilhões nas exportações brasileiras. Além disso, outros 75 produtos, representando 13% das exportações, terão a nova alíquota de 12,5% aplicada.
O Palácio do Planalto classificou a tarifa como arbitrária e injustificada e anunciou que acionará a Lei de Reciprocidade e levará o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). A alegação dos EUA é que o Brasil não teria legislação suficiente para impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Pressão e resposta do setor produtivo
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) alerta que 85,3% das exportações brasileiras para os EUA sofrerão a sobretaxa máxima de 37,5%, o que pode fragilizar cadeias produtivas e encarecer custos para empresas e consumidores nos dois países. A entidade defende que a saída está no diálogo bilateral, descartando retaliações que possam aumentar tensões comerciais.
A indústria de máquinas e equipamentos, representada pela Abimaq, é uma das mais impactadas, com perdas previstas de até 11% nas exportações para os EUA. O setor destaca que a soma das tarifas elimina a competitividade frente aos fabricantes americanos e pede medidas de apoio, como o fortalecimento do Plano Brasil Soberano e incentivos fiscais.
Do lado da CNI, a aposta também está na negociação diplomática para evitar maiores prejuízos. O presidente Ricardo Alban reforçou o compromisso do setor com a estratégia do governo e informou que está em andamento a criação de uma missão dentro da política Nova Indústria Brasil para apoiar empresas atingidas e ampliar a internacionalização.
A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), estado que responde por grande parte das exportações para os EUA, reforçou a necessidade de uma ação firme e coordenada do governo para ampliar exceções às tarifas e garantir previsibilidade ao setor exportador, preservando contratos, investimentos e empregos.
Com o aumento das tarifas, produtos manufaturados são os mais vulneráveis, já que enfrentam concorrência acirrada e margens de lucro apertadas, dificultando o repasse dos custos ao consumidor final. O cenário preocupa pela possibilidade de perda de contratos, redução da produção e impactos no emprego.
