Associação critica prorrogação da isenção de impostos para veículos elétricos semidesmontados, que favorece importações chinesas em detrimento da produção nacional.
A decisão do governo de estender até janeiro de 2027 a isenção do imposto de importação para carros elétricos semidesmontados gerou críticas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Segundo o presidente Igor Calvet, a medida cria um ambiente de competição desigual para as montadoras brasileiras que operam há mais tempo no país.
Calvet destaca que as empresas chinesas que importam grandes volumes de veículos desmontados se beneficiam de custos logísticos e tributários menores, dificultando a concorrência para as fabricantes nacionais. A Anfavea também reclama da falta de diálogo prévio com o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), responsável pela decisão.
A cota de importação sem impostos para veículos elétricos desmontados e semimontados foi renovada em junho, com limite de US$ 463 milhões para o período de seis meses a partir de julho de 2026. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, defendeu a iniciativa afirmando que o objetivo é beneficiar o consumidor e o mercado.
Andrea Serra, diretora tributária da Anfavea, critica o critério atual que divide a cota com base no volume total de importações, sem refletir as mudanças recentes no mercado. Ela propõe que a cota seja repartida considerando apenas os últimos seis meses para atualizar a distribuição entre as montadoras. Atualmente, cerca de 80% dessa cota está concentrada na BYD.
Além do impacto na competitividade, Calvet alerta para o risco de perda significativa de empregos caso o setor migre totalmente para os regimes de montagem CKD e SKD, que demandam menos etapas produtivas e menos mão de obra. Um estudo da Anfavea indica que, para cada 10 trabalhadores na produção convencional, apenas três seriam necessários nesses regimes.
Do lado das montadoras chinesas, a importação de veículos semimontados é vista como etapa fundamental para a implantação gradual das fábricas no Brasil. Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD, afirma que o regime de montagem é padrão global para novos investimentos no setor. As marcas chinesas garantem que os kits importados serão cada vez mais completos conforme aumentam as etapas de produção local.
Enquanto isso, o mercado automotivo brasileiro mostra sinais de crescimento, com projeção de mais de 3 milhões de veículos vendidos em 2026, o melhor resultado desde 2014. No entanto, a indústria nacional enfrenta desafios com o aumento das importações e queda nas exportações, principalmente para a Argentina, afetando a balança comercial do setor.
