Presidente defende aliados próximos enquanto afasta outros, gerando tensão interna no PT e riscos políticos.
Durante entrevista à Globo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocou inquietação dentro do PT ao adotar uma estratégia diferente para aliados envolvidos em investigações recentes. Enquanto protege o ex-governador Jaques Wagner e seu filho Lulinha, Lula afastou o lobista Marcola e a lobista Roberta Luchsinger, esta última alvo de críticas públicas do presidente.
Roberta, chamada por Lula de “pilantra”, é vista internamente como uma figura imprevisível, descrita como um “fio desencapado”. A reação da lobista à crítica pública foi de irritação, aumentando a preocupação do entorno do presidente sobre possíveis desdobramentos e declarações futuras que ela possa fazer.
O desconforto no PT também tem relação com a postura inicial de Lula, que negou conhecer Roberta, mesmo após a circulação de várias fotos dela ao lado do presidente. Embora o partido reconheça que imagens não comprovam proximidade, a oposição pode usar essas evidências para questionar a coerência do discurso presidencial, um risco que, segundo petistas, deveria ter sido avaliado.
O contraste entre o tratamento dispensado a Roberta e Marcola, considerados afastados, e o apoio público dado a Wagner e Lulinha, reforça tensões internas. Jaques Wagner, citado em investigações, aproveitou a declaração de Lula para fortalecer sua imagem nas redes sociais, enquanto o presidente atribui as suspeitas envolvendo seu filho a versões ainda em apuração pela polícia.
Esses episódios, longe de serem isolados, começam a formar uma narrativa política que preocupa o PT e a campanha presidencial, diante do potencial de desgaste eleitoral e da incerteza sobre o que pode surgir dos personagens que o governo decidiu deixar de lado.
