Anne Basting desenvolve método que prioriza a imaginação e o diálogo livre para conectar familiares e cuidadores a pacientes com demência.
Comunicar-se com alguém que enfrenta demência costuma ser um desafio, especialmente quando perguntas sobre o passado não geram resposta e acabam frustrando familiares e cuidadores. Para a professora Anne Basting, autora e fundadora da organização Time Slips, a solução está em mudar o foco da conversa, valorizando a criatividade e o presente ao invés da memória.
Anne, que também é autora de livros sobre cuidado a idosos, propõe uma abordagem que estimula a imaginação em vez de cobrar lembranças, promovendo diálogos mais leves e envolventes. Sua experiência começou em instituições de longa permanência, onde encontrou ambientes pouco acolhedores e pacientes muitas vezes sedados, sem estímulos significativos.
Em um encontro com idosos, Anne mostrou uma foto recortada de revista e perguntou aos participantes que nome dariam ao homem da imagem e onde ele estaria. A partir daí, o grupo começou a cantar e rir, criando momentos de alegria e conexão que ela não tinha presenciado até então. Essa dinâmica deu origem a um método que vem sendo aplicado há mais de 20 anos, com treinamentos para familiares e profissionais.
O princípio é simples: entrar na realidade em que a pessoa com demência está, sem insistir na recuperação da memória perdida. Essa prática não só melhora o humor e a qualidade de vida dos pacientes, como também aumenta o engajamento e a satisfação de quem cuida, além de transformar a percepção das famílias sobre a doença.
Atualmente, Anne também cuida da mãe que apresenta sinais de declínio cognitivo, colocando em prática as técnicas que desenvolveu. Para ela, a chave está em não isolar o paciente, mas sim acolhê-lo com atenção e criatividade, criando um ambiente onde a pessoa possa ser valorizada em sua condição atual.
