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Singular ou plural? Entenda a importância da expressão ‘mudança climática’ no debate ambiental

Singular ou plural? Entenda a importância da expressão ‘mudança climática’ no debate ambiental
◈ Contexto

A escolha entre 'mudança climática' e 'mudanças climáticas' reflete diferentes entendimentos científicos e culturais sobre o fenômeno global.

Ao discutir os impactos do aquecimento global, a forma como nos referimos ao fenômeno pode influenciar a compreensão sobre sua natureza. A expressão ‘mudança climática’, no singular, é a forma originalmente adotada por cientistas para descrever uma alteração única e sistêmica no equilíbrio climático da Terra.

O termo ganhou destaque em 1975, quando o geoquímico Wallace Broecker publicou um artigo na revista Science, alertando para uma possível transição do sistema climático para um novo estado de equilíbrio, impulsionada pelo aumento dos gases de efeito estufa. Broecker destacou que as variações temporárias de temperatura observadas anteriormente não anulavam a tendência de aquecimento global, prevendo com precisão a intensificação desse processo nas décadas seguintes.

Na esfera diplomática, a preferência pelo singular permaneceu, como evidenciado na Resolução 43/53 da ONU, de 1988, e na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), firmada na Rio-92. Nessas instâncias, o clima é entendido como um sistema integrado, e a mudança climática representa uma transformação global desse sistema.

Por outro lado, em línguas latinas como o português, o uso do plural ‘mudanças climáticas’ tornou-se comum a partir da década de 1990, especialmente após a divulgação dos relatórios do IPCC. Essa forma reflete a percepção das múltiplas manifestações locais e regionais do fenômeno, como secas, enchentes e ondas de calor, que afetam diretamente o cotidiano das populações.

No Brasil, o plural ganhou força no debate público e científico durante os anos 2000, impulsionado por eventos climáticos marcantes e pela ampliação da cobertura midiática. Instituições de pesquisa e programas de fomento passaram a adotar essa terminologia, enquanto o meio jurídico manteve o singular, como na Política Nacional sobre Mudança do Clima (Lei 12.187/2009).

Especialistas defendem o uso do singular para ressaltar que o que ocorre é uma alteração profunda e unificada no sistema climático global, evitando fragmentar o fenômeno em eventos isolados. Essa abordagem reforça a compreensão do problema como um desequilíbrio termodinâmico causado pela concentração de gases de efeito estufa, que gera impactos diversos, mas interligados.

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