Paciente com linfoma tem resposta rápida e sem tumores após tratamento experimental com CAR-T Cell no sistema público de saúde.
Um tratamento inovador com terapia celular desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Butantan e o Hemocentro de Ribeirão Preto, está trazendo esperança para pacientes com câncer na rede pública de saúde. O protocolo, que utiliza a técnica CAR-T Cell, já foi aplicado em 14 pessoas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com resultados promissores.
Paulo Peregrino, de 61 anos, é um dos casos mais recentes e emblemáticos. Diagnosticado com linfoma há 13 anos, ele estava prestes a iniciar cuidados paliativos quando recebeu a terapia em abril. Em apenas um mês, exames mostraram remissão completa da doença, surpreendendo os especialistas envolvidos no estudo.
O tratamento consiste na modificação genética das células T do próprio paciente, que são multiplicadas em laboratório para reconhecer e combater as células cancerígenas de forma eficaz. Paulo passou pelo procedimento no Hospital das Clínicas de São Paulo, sob supervisão do professor Vanderson Rocha, que destacou a rapidez e a intensidade da resposta ao tratamento, algo incomum e animador para casos avançados.
Atualmente, o CAR-T Cell está disponível no Brasil apenas na rede privada, com custos que ultrapassam R$ 2 milhões por paciente. O estudo conduzido pela USP e parceiros, financiado por Fapesp e CNPq, visa viabilizar o acesso público e, a partir do segundo semestre, planeja atender 75 pacientes com leucemia linfoblástica B e linfoma não Hodgkin de células B, os tipos de câncer focados na pesquisa.
Segundo Dimas Covas, coordenador do Centro de Terapia Celular, o Brasil tem uma oportunidade única de incorporar essa tecnologia ao SUS, tornando o tratamento acessível e gerando economia significativa em comparação com os valores praticados no setor privado. O projeto também conta com apoio da Anvisa, que tem priorizado a análise do estudo clínico para acelerar a aprovação.
Paulo, que mora em Niterói com a família, destaca a importância da ciência e da fé na sua recuperação e pretende celebrar a cura com uma festa em novembro, enquanto segue em acompanhamento médico em São Paulo. Sua trajetória de superação inspira e reforça o potencial transformador da terapia celular no combate ao câncer.
