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Matrículas de meninas em cursos técnicos de tecnologia nas Etecs caem 21% em um ano

Matrículas de meninas em cursos técnicos de tecnologia nas Etecs caem 21% em um ano
◈ Contexto

Número de alunas em cursos tecnológicos das Etecs diminui significativamente entre 2024 e 2025.

O total de meninas matriculadas nos cursos técnicos integrados ao ensino médio nas Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) caiu 21,2% entre 2024 e 2025, segundo dados do Centro Paula Souza. Em 2024, eram 11.923 alunas, enquanto em 2025 o número caiu para 9.392. No mesmo período, mais de 26 mil meninos estavam inscritos nos mesmos cursos.

A maior redução proporcional ocorreu no curso de Desenvolvimento de Sistemas, onde a participação feminina caiu de 48% em 2024 para 37% em 2025. A pesquisa considerou ainda outras modalidades como Eletroeletrônica, Eletrônica, Informática, Mecatrônica, Programação de Jogos Digitais e Redes de Computadores.

Alunas relatam que o ambiente predominantemente masculino e episódios de preconceito contribuem para o afastamento. Geovana Carolina Jesus Pereira, estudante de Desenvolvimento de Sistemas na Etec Parque Belém, revelou que quase desistiu devido à presença majoritária de homens na sala. Outras ex-alunas, como Yasmin Pilla e Giovanna Mattar Romariz, também enfrentaram comentários discriminatórios durante as aulas.

Desafios culturais e ações para mudar o cenário

Especialistas apontam que barreiras culturais, como machismo e autocobrança, começam a afastar meninas da tecnologia desde cedo. Aparecida Maria Zem Lopes, doutora em Ciências da Computação, destaca o medo das jovens em relação a conteúdos de exatas e a percepção da discriminação no ambiente acadêmico.

Esse quadro se reflete no mercado de trabalho, onde mulheres representam apenas cerca de 30% dos profissionais da área tecnológica. Para reverter essa tendência, o Centro Paula Souza desenvolve projetos como “Meninas na Ciência” e planeja novas estratégias para 2026, incluindo trilhas de apoio para o desenvolvimento da carreira feminina em tecnologia.

Apesar das dificuldades, estudantes como Lara Motta Carneiro Silva permanecem motivadas a seguir carreira na área. “Quero contribuir para aumentar a presença feminina em tecnologia e atuar em programação e banco de dados”, afirma.

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