Dados do Inep mostram avanço na educação integral e técnica mesmo com redução de 1 milhão de alunos na educação básica.
O Censo Escolar 2025, divulgado pelo Inep, revela que, apesar da queda de 1 milhão no total de matrículas na educação básica, o ensino técnico e a educação integral tiveram crescimento no último ano. Esses dois modelos educacionais se destacam como estratégias para melhorar a formação dos estudantes e preparar melhor os jovens para o mercado de trabalho.
O ensino integral, que exige pelo menos 35 horas semanais na escola, registrou aumento discreto na proporção de alunos matriculados, principalmente na rede pública. A ampliação desse formato é vista como uma forma de reduzir a evasão escolar, ampliar o desenvolvimento pedagógico, cultural e esportivo e oferecer mais tempo para reforço em leitura e matemática. No entanto, os repasses federais para o programa caíram drasticamente em 2025, passando de bilhões para cerca de R$ 75,8 milhões, devido a mudanças na legislação que transferiram essa responsabilidade para estados e municípios.
Já o ensino técnico, integrado ao novo ensino médio por meio dos chamados itinerários formativos, cresceu cerca de 208 mil matrículas entre 2024 e 2025, alcançando mais de 1,29 milhão de estudantes. A maioria está em escolas estaduais, seguida por institutos federais, redes privadas e municipais. Essa modalidade permite que os alunos combinem a formação geral com capacitação profissional.
Outros dados do Censo apontam que o número de professores temporários permanece elevado, representando 42,6% do total na educação básica, com maior incidência na rede estadual. Além disso, houve uma ligeira queda na proporção de docentes com licenciatura, que passou de 96,85% para 96,1%, e poucos possuem mestrado ou doutorado.
O levantamento também destaca mudanças na composição racial dos estudantes. Cresceu o número de alunos que se declararam pretos e pardos, especialmente nos anos iniciais e finais do ensino fundamental, enquanto a presença de estudantes amarelos diminuiu. Já as matrículas de indígenas aumentaram na creche e no ensino médio, mas ainda representam menos de 1% do total.
