Espécie exclusiva da Amazônia, o choca-de-garganta-preta tem registros escassos e está ameaçada pelo avanço do desmatamento.
Com apenas 17 centímetros e 31 gramas, o choca-de-garganta-preta é uma ave amazônica rara, pouco estudada e que corre risco elevado de desaparecer. Até hoje, cientistas ainda não identificaram seus ninhos nem entenderam completamente seus hábitos e reprodução.
Exclusiva da região entre os rios Madeira e Tapajós, a espécie já foi registrada em algumas áreas de Rondônia, como Ji-Paraná e Machadinho do Oeste. O avistamento recente em Porto Velho durante o evento global de observação de pássaros, conhecido como “Big Day”, foi considerado raro e importante para pesquisas futuras.
O biólogo Wellington Nascimento, que participou do registro, destaca que o avanço do desmatamento ameaça diretamente essa ave, que depende de um habitat muito específico. ‘‘Se a floresta onde ela vive for destruída, a espécie pode desaparecer’’, alerta.
O choca-de-garganta-preta apresenta dimorfismo sexual: a fêmea tem coloração castanho-amarronzada com garganta preta, enquanto o macho é totalmente preto. Seu bico é adaptado para furar bambus e se alimentar de formigas que habitam esses locais, mas muitos aspectos sobre sua alimentação e moradia ainda são desconhecidos.
O canto da ave, uma série de assobios suaves, pode passar despercebido para quem não está familiarizado. Mesmo com poucos dados, a espécie está classificada como vulnerável, indicando alto risco de extinção na natureza.
Durante o encontro em Porto Velho, os pesquisadores utilizaram uma caixa de som para reproduzir o canto da ave, o que estimulou sua resposta e permitiu a captura de fotos e vídeos inéditos, contribuindo para o conhecimento sobre essa espécie exclusiva da Amazônia.
