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Crédito caro prende entregadores argentinos em ciclo de dívidas com aplicativos

Crédito caro prende entregadores argentinos em ciclo de dívidas com aplicativos
◈ Contexto

Empréstimos com juros altos dificultam a recuperação de motos apreendidas, ampliando a dependência dos entregadores dos apps na Argentina.

Em Buenos Aires, entregadores de aplicativos enfrentam um desafio que vai além das ruas: o custo elevado para recuperar motos apreendidas, que pode gerar dívidas difíceis de quitar. Para voltar ao trabalho, muitos recorrem a empréstimos com juros acima de 100%, oferecidos inclusive pelos próprios aplicativos que utilizam para ganhar a vida.

Albert Quintero, entregador de 41 anos, relata que recuperar uma moto apreendida pode custar o equivalente a dois dias de trabalho, cerca de 140 mil pesos argentinos (US$ 90). Como muitos não têm esse valor disponível, acabam buscando crédito em fintechs, onde as taxas anuais chegam a 131% no app PedidosYa e a 170% na carteira digital Personal Pay.

O crescimento do endividamento ocorre num contexto de alta inflação e aumento do custo de vida, que pressionam as finanças das famílias argentinas. Desde a posse do presidente Javier Milei, o índice de empréstimos em atraso subiu de 2,8% para 12,8%, o maior patamar desde 2010, segundo dados do Banco Central do país.

Além da dificuldade econômica, jovens são os mais impactados, pois acessam crédito digital com facilidade, mas nem sempre compreendem o peso dos juros acumulados. Enrique Tobani, participante de protestos por alívio das dívidas, destaca que a situação atinge diversos setores da sociedade, tornando-se um problema generalizado.

Apesar das cobranças de sindicatos e organizações de consumidores, o governo mantém a posição de que o endividamento é uma questão entre credores e tomadores, e considera o aumento dos atrasos como efeito passageiro da expansão do crédito privado, que representa 12% do PIB argentino, muito abaixo dos 80% do Brasil.

O cenário argentino reflete um movimento preocupante na região, com outros países, como o Brasil, também alertando para o crescimento da inadimplência em meio a linhas de crédito caras e critérios menos rigorosos para concessão de empréstimos.

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